Informações não pedidas e tão pouco necessárias

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

It began with the forging of the Great Rings

Ah! Eu tenho tanta coisa pra falar hoje. Mas eu estou tão cansada de tudo e falar dessas coisas leva a falar de gente idiota, preconceituosa, burra e ridícula e eu não vou fazer isso. Que se dane! Vamos falar de outra coisa.
Vendo o Re falar no facebook sobre Herzog, do Saul Bellow (eu li, é bom, mas não mexeu comigo tanto assim), e como esse livro significou tanto para ele me fez pensar: que livro significou tanto para mim? A resposta vem em forma de outra pergunta: que diabo de pergunta é essa, Mirane? É óbvio que foi O Senhor dos Anéis. Vejam bem, esse nem é o meu livro favorito do Tolkien (é O Silmarillion), mas com certeza é o livro mais significativo da minha vida, não só a obra em si, o seja, a história contada no livro, mas também a minha primeira cópia do livro, chamada Precious. Então, o que eu vou fazer hoje é contar a história que mudou a minha vida completamente.
O ano é 2002. Já terminei o colegial, mas não fui fazer faculdade porque eu simplesmente decidi que não queria, pelo menos não por enquanto (embora quando eu penso nisso agora eu não consigo imaginar como eu consegui isso, eu era completamente louca por aprender e estudar e essas coisas... se bem que eu não parava de fazer isso só porque não estava na faculdade, enfim...). Eu trabalhava em uma fábrica de sapato e morava em Birigui. Em fevereiro (ou março, não me lembro bem) eu estava assistindo o Oscar (que eu amava naquela época, mas deixaria de amar no ano seguinte por motivos óbvios e não voltaria a amar mesmo eles tentando consertar a cagada no ano que se seguiu) e um dos concorrentes em váááárias (13, na verdade) categorias era um filme chamado O Senhor dos Anéis - A sociedade do Anel. Eu não tinha ideia do que se tratava e no trailerzinho que eles mostravam aparecia a cena de Moria com o Balrog e o narrador explicando a história (um grupo de pessoas viajam até Mordor para destruir o anel do senhor do escuro ou alguma coisa assim). No momento, vendo o trailer, eu pensava que o Balrog era o senhor do escuro e que Moria era Mordor (que inocente). Não sei o que aconteceu (e só de lembrar meu coração volta a bater daquele jeito estranho como naquele dia), só sei que eu me apaixonei de imediato. Ainda naquela noite descobri que Sean Astin e Elijah Wood estavam no filme, dois dos meus atores de infância, que eu amava. E aí eu descobri que Christopher Lee estava lá também e o Ian McKellen. IAN MCKELLEN! Kurt Dussander de O aprendiz (filme que também tem o David Schwimmer e o Brad Renfro - que eu amava e que morreu no mesmo mês que o Heath Ledger, que eu também amava, pela mesma causa e que fazia aniversário no mesmo dia que eu)! Eu simplesmente não conseguia parar de pensar  nesse filme, o que prova a entrada de 3 de abril de 2002 do meu diário, em que eu detalho o quanto eu estou encantada com esse filme. Lembrando: eu não tinha ideia do que era a história e nem sabia quem era Tolkien (que absurdo!). Fui ao cinema da nossa gloriosa cidade, mas o filme não estava mais em cartaz. Fui na cidade vizinha, mas lá também não estava. Procurei no jornal e descobri que em Rio Preto estava passando. Eu fiquei doente porque queria ir (sim, eu fico doente quando quero alguma coisa que não posso ter. Quando eu era pequena minha tia sofria comigo porque ao invés de eu falar o que queria para ela comprar eu ficava querendo em silêncio e aí ficava doente por causa de um sorvete ou um cachorro quente... uma vez fiquei doente por causa de um babaloo e outra vez por causa de um chiclete dos Simpsons). O caso é que eu não tinha como ir para Rio Preto e então tive que esperar cinco longos meses para o filme sair em fita cassete. Nesse meio tempo, meu amigo Renato (o mesmo dali de cima) começou a conversar comigo sobre o livro, falando que era ótimo e que eu tinha que ler e me contando algumas coisas, fazendo comparações com o filme, o que só foi aumentando minha vontade.
Finalmente chegou o dia: 19 de agosto de 2002. A fita estava disponível na locadora perto do meu serviço, mas só tinha dublado. Agora, antes de me julgarem vocês precisam entender que eu estava literalmente doente para assistir o filme e que alugá-lo dublado é completamente compreensível e perdoável nessa situação. Cheguei em casa e tive que esperar meus tios desocuparem a TV antes de assistir e então começou. Confesso que fiquei um pouco perdida (descobri, posteriormente, que foi por causa da dublagem, que era horrível) no começo, mas fui assistindo e assistindo, troquei pra segunda fita e continuou até que acabou. Minha reação: WHAT THE HELL IS THIS SHIT???
Sem zuera. Odiei. Que diabo era aquele final? Não tinha a porra de um final! Por que ninguém tinha me avisado dessa merda? Que ódio que eu sentia naquele momento. Tudo aquilo que eu tinha passado durante todos aqueles meses por aquela bosta? Fiquei indignada. Fui tirar a fita do vídeo e enroscou. Sim, amigos, enroscou. Eu quebrei a porra da fita. No dia seguinte fui até a locadora e expliquei a situação. Trinta reais. Eu mal tinha dinheiro e tinha que pagar trinta reais numa porcaria daquela. Paguei, fazer o que?
Durante a semana não consegui parar de pensar no filme. Eu sei que tinha odiado, mas tinha alguma coisa, não sei o que, que me fazia pensar o tempo todo nele. No sábado, 24 de agosto de 2002, decidi que queria ler o livro (a melhor decisão da minha vida). Mais ou menos às 11h da manhã liguei na nossa pequena livraria, Livro e CIA, e perguntei se eles tinham o livro. Eles tinham. 75 reais. Forma de pagamento? Entrada e mais duas vezes de 25 porque eu tinha crédito na loja (ainda bem que comprei meus Tolkiens lá antes de mudar de dono porque depois ele não vendia mais no boleto). A loja fechava às 13h e eu tinha encontro do grupo de teatro às 14h, então fui mais cedo, com minha amiga Deise, e passei na livraria. Pronto. O Precious era meu. Eu estava tão encantada. A capa era linda e ele era enorme, eu amava (e ainda amo) livros enormes, são os melhores tipos de livro. Fui para o teatro (a gente ia de bicicleta) e chegando lá tivemos que esperar um tempo ainda porque estava cedo. Mas até o pessoal chegar eu já tinha percebido que não conseguia esperar nem mais um minuto para começar a ler aquele livro, eu tinha que ir embora. Falei tchau e fui. Lembro de passar pela igreja do meu bairro, ver minha tia conversando com a vizinha e então cheguei em casa. Guardei a bicicleta e deitei no sofá e então comecei. Já na introdução, na fala do Tolkien, eu me apaixonei por ele. Quando ele disse que o defeito do livro era ser pequeno demais lembro de ter abraçado o livro de alegria. Na semana seguinte eu só podia ler à noite por causa do trabalho e era tão difícil parar de ler para ir dormir. Mas era preciso. Lembro de chorar até dormir com a "morte" de Gandalf, mesmo já sabendo o que ia acontecer e também, claro, amei a "Sociedade do Anel" no livro, que achei, na época, muito diferente do filme. Nas partes em que o Frodo e o narrador falam sobre a águia sobrevoando alto a sociedade depois de Lothlórien eu me arrepiava toda porque eu SABIA, eu tinha certeza que era o Gandalf (eu sempre fui boa em adivinhar as coisas, o que é meio chato às vezes). Quando cheguei em "As Duas Torres" estava radiante; a partir dali era uma história nova e desconhecida. Quando cheguei no capítulo "O Cavaleiro Branco"... bem, não tenho palavras. Até hoje quando chego naquela parte em que o Gandalf volta... mesmo no filme... é tão perfeito, tão lindo! 
Chegou o sábado seguinte, finalmente, e eu poderia ler em paz. "O Retorno do Rei". Nossa, o que aquele livro fez comigo? Dizer que eu não conseguia parar de ler é ser modesta. Eu não conseguia respirar, nem imaginar qualquer coisa que fosse remotamente mais importante do que saber o que ia acontecer com aqueles personagens incríveis. Quando cheguei na parte em que o Frodo "morre" eu fechei o livro chorando, não queria mais ler. Não porque tivesse algum sentimento especial pelo Frodo (no livro ele é um ótimo personagem, já no filme...), gostava dele como gostava de todo mundo, mas foi aquela "morte" que me fez perceber que o livro estava acabando e eu não queria que isso acontecesse NUNCA. Depois de uns 10 minutos de choro e indecisão fiz uma promessa: o livro nunca iria acabar porque eu nunca pararia de lê-lo. E foi o que fiz. Terminei o livro no sábado, uma semana depois. Comecei de novo e li em três dias. No fim de semana seguinte tive que cuidar da casa de uma vizinha que tinha ido viajar, só ficar lá na casa pra não deixar sozinha. Li o livro em 24h. Meu recorde e não me espantaria se fosse a única no mundo a ter feito isso. Hoje, já li o livro 20 vezes.
Em meio a contínua leitura de O Senhor dos Anéis, eu descobri sobre os outros livros do Tolkien. Com meu salário de setembro comprei o Contos Inacabados (só muito depois percebi o quanto eu confundi as coisas lendo o CI antes de O Hobbit e O Silmarillion). Com o dinheiro que ganhei por ter cuidado da casa da vizinha comprei O Silmarillion (sim, ela demorou tudo isso pra pagar) e depois ganhei O Hobbit de uma amiga minha. Antes de dezembro eu já tinha os quatro livros do eixo principal, o CD e a fita cassete de "A Sociedade do Anel" (a história da fita foi bem interessante porque eu procurei pra comprar em várias cidades e não achei em nenhuma e mesmo nas locadoras que vendiam suas fitas ninguém queria me vender, nem em Ribeirão Preto onde eu e umas amigas fomos fazer um teste para uma minissérie e tinha uma megastore da Saraiva - onde eu comprei meu CD - enfim... até que fomos para um festival de esquetes em Itápolis e então, na locadora de lá, eles me venderam E me deram um poster gigante que depois deu muito trabalho para levar pra casa. Ainda sobre Itápolis, meus amigos compraram 3 caixas de chiclete do SdA pra mim, mas eu só queria as figurinhas, então a gente abriu todos os chicletes e colocou num saco enquanto eu guardava as figurinhas pra mim. Distribuímos chiclete para o ônibus inteiro e ainda tivemos um estoque por alguns dias), alguns números da revista "O mundo fantástico de Tolkien" (que infelizmente parou de existir no número 12) e vários posters e outras coisinhas.
Enquanto acontecia isso tudo, em agosto mais precisamente, eu me demiti do emprego porque queria fazer faculdade. Tinha decidido por Engenharia Aeronáutica no ITA (sim, eu sei, muito difícil e tal). Fiz minha inscrição para o vestibular, já tinha arrumado lugar para ficar em Bauru, para fazer a prova, estava tudo certo. Mas então o Tolkien aconteceu. Eu não estudava porque ficava só lendo o The Lord e os outros livros. Lembro de um dia ter ido no médico com a minha tia e ele ofereceu um emprego de recepcionista, então eu disse que não podia porque ia para o ITA e então ele perguntou o que eu estava lendo e eu mostrei o Precious (eu andava com ele para todo lado, literalmente, eu não ia na padaria sem ele, por isso ele é tão acabadinho, tadinho. Tomou banho de chuva, de perfume, de óleo corporal... que mãe descuidada eu fui), então ele me disse: "você não vai passar no ITA lendo isso aí, você precisa estudar de verdade." E foi então que eu percebi que eu não queria mais Engenharia Aeronáutica, eu queria Tolkien. Por isso (e porque eu achava que meu dinheiro seria melhor aproveitado assistindo "As Duas Torres" várias vezes no cinema) eu desisti de prestar o vestibular do ITA. Nem imagino a decepção dos meus tios quando disse isso (embora tenha dado outros motivos e não os verdadeiros). Depois de pensar por algum tempo decidi que faria Letras, para poder estudar a obra do Tolkien. Enquanto não surgia a oportunidade eu ficava lendo e relendo os livros, fazendo anotações, índices de nomes e lugares, árvores genealógicas e etc.
Assistir os filmes no cinema foi uma aventura. Na estréia de "As Duas Torres" eu fiquei na fila desde às 10h da manhã (na verdade eu saí de casa às 7h e cheguei por volta das 8h no shopping de Araçatuba, mas o shopping só abria às 10h, óbvio), fui a primeira da fila, lógico. Quis sentar na primeira fila (sabe Deus por que), gritei para meus amigos do outro lado do cinema. Tentei pegar a Glamdring quando ela caiu naquele começo com o Balrog e gritei "Glamdring". Odiei o filme, como sempre faço a primeira vez que assisto um filme sobre o Tolkien. Fui escondida várias vezes assistir porque minha tia não queria que eu fosse mais. Falava que ia procurar emprego e ia pro cinema. Paguei para pessoas da rua assistirem comigo em Birigui porque precisava de número mínimo de pessoas para abrir a sessão. Isso e muito mais. Tudo isso se repetiu em o "Retorno do Rei". Ainda lembro a última vez que fomos assistir o filme: eu, o Re e o meu namorado da época. Foi um dos dias mais tristes da minha vida. Achava que nunca mais iria ver o Tolkien no cinema de novo, por isso não consigo descrever o que se passou dentro de mim quando nove anos mais tarde eu e o Renato estávamos, de novo, sentados juntos num cinema vendo o símbolo da New Line e ouvindo uma música do Howard Shore.
Em algum ponto de 2003 eu comecei uma faculdade em Birigui, para fazer Letras, mas percebi que não teria condição de pagar a faculdade e então desisti. Em 2004 mudei para São João de Iracema de novo e minha irmã insistiu para que eu prestasse vestibular para a UNESP. Prestei e passei, mesmo sem estudar e ficar só lendo Tolkien (e nessa época também Harry Potter, mas essa é uma história para outro post), afinal era isso que importava.
Comecei a faculdade e me deparei com o maldito preconceito das pessoas, alunos e professores, com a literatura de fantasia, mesmo eles sendo mais cautelosos em julgar o Tolkien, afinal o cara era um gênio e ninguém tem como negar isso.
Em 2006 encontrei o Alvaro (graças a Deus!) e desenvolvi meu primeiro projeto sobre o Tolkien (já tinha feito algumas resenhas e resumos, mas só, até ali): O mal em O Silmarillion, um trabalho decente. No ano seguinte trabalhei com O Senhor dos Anéis e seus aspectos da poesia épica, não foi um trabalho muito bom e foi aí que aprendi que não podia trabalhar com obras ficcionais do Tolkien porque eu as amava demais e odiava que tivesse que estragá-las com análises e coisas idiotas (um dia estava lendo as cartas do Tolkien e tinha uma em que ele respondia para um aluno que estava estudando a obra dele que quando se quebra uma coisa para descobrir como ela funciona você deixou o caminho da sabedoria, palavras de Gandalf. Chorei feito uma condenada). Então decidi que trabalharia com a teoria do Tolkien e é o que venho fazendo até hoje.
Minha coleção de livros e outras coisas relacionadas ao Tolkien só aumentou e em menos de dois meses teremos o terceiro filme de O Hobbit e o último vislumbre da Terra-média no cinema.
Fui para Oxford duas vezes e visitei todos os lugares que poderia sonhar. Onde o Tolkien viveu, estudou, deu aulas e morreu. Participei de eventos sobre o Tolkien, faço parte do Conselho Branco, Toca de São Paulo (mesmo não sendo muito ativa), uma sociedade dedicada a estudos sobre o Tolkien e sua obra, e também da Valinor (mas faz tempo que não acompanho as discussões), outra comunidade desse tipo. Já fui palestrante (mesmo que tenha sido uma palestra horrível porque eu estava bem mal na época e sem condições de fazer algo decente, mas eu queria mesmo assim participar) na HobbitCon (evento do Conselho Branco). Também ganhei um concurso do CB de melhor ensaio sobre a obra do Tolkien.
O que eu quero dizer com isso tudo é que vocês não devem jamais desistir das coisas que você ama, mesmo que outras pessoas não entendam esse amor. São essas coisas que nos fazem feliz e transformam a nossa vida. E também, claro, vão ler o Tolkien!

P.S. Desculpem se o final ficou meio corrido, mas é que eu achei que já tinha escrito demais. Mas eu poderia continuar por eras descrevendo milhões de coisas e sensações, mas acho que já deu para vocês terem uma ideia.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Miep... eu também não vou voltar

Hoje, aparentemente, eu tenho um propósito, ou seja, eu sei o que vou falar, ou ao menos eu sei o que eu pretendo falar, o que vai virar isso de verdade só Deus sabe.
Então, hoje falaremos de alguns livros que eu li recentemente. Só alguns. Vamos por ordem.
Eleanor & Park (Rainbow Rowell). Bonitinho. Extremamente perturbador. Embora esse tipo de livro seja importante porque representa problemas reais de adolescentes pelo mundo, eu acho que eu prefiro ficar com minhas fantasias. Óbvio que minha preferência por histórias de fantasia não é segredo pra ninguém. Eu me sinto mal lendo coisas que eu sei que pode estar acontecendo neste exato momento e, como escritores mais "realistas" tendem a querer representar o que tem de pior na realidade eu prefiro não saber. Alienada? É, que se dane, isso é problema meu. Mas o livro é bom, aconselho.
Fangirl (Rainbow Rowell). Esse é mais light e mais divertido. Também representa problemas de adolescentes, mas problemas muito mais fáceis de lidar. Saber que algo do tipo está acontecendo agora é mais "aw que bonitinho" do que "WTF aconteceu com o mundo?" como o anterior e, na verdade, eu vejo esse tipo de coisa acontecendo todo o tempo no tumblr. Nem preciso comentar que a obsessão da protagonista com uma série de fantasia ajuda muito o fato de eu ter gostado, se bem que a série de fantasia em si era meio besta. Mas é bem legal e acho que vocês deviam ler.
Cidades de papel (John Green). Esse é o John Green que eu mais gostei até agora. Eu até gosto dos outros, mas esse é o melhor. A Margo é uma personagem incrível. Não tenho muito que falar além disso, exceto: vão ler!
Adeus às armas (Ernest Hemingway). Então, um clássico, né. UH! Mas eu não dou a mínima pra isso na hora de dar minha opinião sobre um livro. Não é ruim. Mas meu Deus! Que diabo eram aqueles diálogos? O pior é que na introdução tinha um bom da boca lá falando que os diálogos eram a melhor parte. WHAT THE HELL? As partes da guerra são interessantes, mas aquela mulher era completamente louca. O final é triste, mas o que se destaca no livro é a ruindade dos diálogos e a loucura da senhorita.
Entrevista com o vampiro (Anne Rice). Meh. Outro livro que eu morria de vontade de ler e que me decepcionou. O Lestat é insuportável e o Louis parece uma menininha de 13 anos. Nem a Claudia que é uma criança é tão menininha como o Louis. Mas a Claudia e o Armand são muito bons. É só.
O diário de Anne Frank. Ai. Aí é que a coisa pega. Vocês precisam ter em mente que O diário de Anne Frank é um dos meus livros preferidos e um dos que eu mais li na minha vida. A primeira vez que li eu tinha 12 anos e foi aí que começou meu amor pela Segunda Guerra Mundial. A primeira vez que eu li eu era um ano mais nova que a Anne e hoje eu sou 15 anos mais velha do que quando ela morreu. E nada mudou. Esse livro sempre me deixa completamente fora do ar e agora mais ainda, por vários motivos que eu não quero comentar aqui. Ler aquele epílogo é uma das coisas mais tristes do mundo e, claro, agora tem um agravante e esse agravante é o próximo livro.
O outro lado do diário (Miep Gies). Sim, é A Miep Gies, que ajudou-os a se esconder. O livro é exatamente o que o nome diz: Miep nos conta desde sua infância como chegou a terrível hora em que teve que esconder a família Frank e Van Pels. Por meio desse livro ficamos sabendo de muitas outras coisas que Anne não nos conta. Mas, como não poderia deixar de ser, as piores partes são as que vem depois do epílogo do diário. Quando Otto volta e se encontra com Miep, suas primeiras palavras são: "Miep... Miep. Edith não vai voltar." E depois, mesmo tendo esperanças de as meninas estarem vivas, o que ela mostra que fazia muito sentido, eles recebem a carta de uma enfermeira que estava no campo de concentração com Anne e Margot e, mais uma vez, Otto nos parte o coração dizendo: "Miep, as meninas não vão voltar." É nesse momento que Miep entrega o diário de Anne ao pai. Miep morreu em 2010 com 100 anos de idade, um mês antes de completar 101 anos. O livro traz várias fotos interessantes também e uma das fotos mais lindas da Anne que já vi. Se algum de vocês tem o mínimo interesse em histórias de guerra, leiam.
Eu sei o que vocês estão pensando: mas Mirane, você que prefere fantasia falando de livros que são literalmente histórias reais. Bem, tudo que é a respeito da Segunda Guerra Mundial é exceção. 
Vocês podem imaginar como ler isso de novo me deixou completamente perdida. Eu não lia isso desde que... algumas coisas mudaram. E agora eu não sei mais nada e a única coisa que eu consigo pensar é que quero ler todos os meus livros relacionados a Segunda Guerra Mundial de novo.
É isso. Não quero mais falar. Pra começar eu sou péssima pra falar sobre livros, afinal livros são pra ler. Eu sei, eu sei... olha quem está falando, uma pessoa que tá escrevendo 200 páginas sobre livros, mas é o que eu acho. Só tive que me vender um pouquinho, afinal eu vivo na realidade e não em um mundo de fantasia como eu queria.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Are we having fun yet?

Heeeeey!
Eu juro que tinha um monte de coisa pra falar quando eu abri a página do blog, mas agora me deu um branco geral. Bem, o negócio é enrolar então, como sempre.
Vamos começar com o futebol (porque eu abandonei meu blog de futebol e agora falo aqui mesmo, embora eu devesse voltar pra lá, tadinho). O futebol tá uma merda! Meus times só me dão desgosto e os dois estão sendo prejudicados pela incompetência de seus técnicos. O caso do Liverpool é ainda pior que o do Corinthians porque os ingleses juntam a incompetência com a burrice característica da elite futebolística do país. Perder o Suárez já foi um golpe e tanto, que deveria ter sido amenizado com contratações decentes (Suárez é insubstituível mesmo, eu sei) e não com esse desfile de antas que nem time da terceira divisão do Brasil iria querer. É tão triste ver que o time que quase (e esse quase é culpa exclusivamente do desabençoado do Brendan Rodgers que fudeu a nossa defesa) foi campeão no ano passado não vai ficar nem entre os 10 esse ano. E a gente tinha que ir pra Champions justo no ano que o inútil desfez o time.
Quanto ao Corinthians o único problema é o técnico, o time ainda é decente, mas 'só' o técnico já é problema demais quando ele é uma anta de aparelho.
Agora vamos falar de outras coisas. Eu estou no Pará e está bem legal, mas também eu não saio de casa pra fazer nada e só saio do quarto pra comer (uma comida boa de verdade). Fico lendo, assistindo coisas e escrevendo todo o tempo. Meu sono praticamente regulado... um sonho. Para pessoas com vidas normais e felizes isso pode parecer pouco pra fazer alguém feliz, mas pra mim é um acontecimento e tanto e, melhor que tudo, eu não fico sozinha.
Também preciso comentar sobre o tanto de pessoas que eu limpei da minha vida, querendo dizer com isso que excluí várias pessoas das minhas redes sociais. Vejam bem, é época de eleição e eu nem  me importo muito com o fato de ter milhões de pessoas que discordam de mim quanto ao candidato que eu escolhi (e eu nem vou defender o meu candidato aqui porque isso não é relevante)*. O problema é que no meio de todas as discussões e argumentos você passa a conhecer a verdadeira essência das pessoas e o que elas acreditam e esperam e isso é aterrador. Eu estou absolutamente chocada com as coisas que descobri sobre as pessoas com isso tudo. Um candidato falou literalmente que queria destruir os gays e uma pessoa que eu infelizmente conheço disse que por causa disso tava pensando em votar nele. Pior! Essa é uma pessoa que se considera um cristão fervoroso e está defendendo a violência contra outros filhos de Deus. Ele usa a religião para defender seus pontos de vista e ao mesmo tempo se esquece do único pedido de Jesus para a humanidade: "amai-vos uns aos outros como eu vos amei e ao Pai acima de todas as coisas". Ele joga no lixo a essência do que é ser cristão e usa Deus de todas as formas erradas para validar seu preconceito e ignorância. Quando eu ouvia falar de pessoas assim eu não acreditava muito que elas existissem, talvez porque eu fosse inocente demais achando que o mundo era o lugar onde viveu Tolkien e Shankly e por isso deveria ser um bom lugar. Mas então eu comecei a experienciar em primeira mão esses atos e palavras de pessoas que deviam estar atrás das grades. Sobre o caso de racismo que sofreu o goleiro Aranha essas mesmas pessoas se posicionaram a favor da menina que o chamou de macaco. Deixo registrado aqui que também sou contra os atentados que ela sofreu, afinal não se combate ódio com ódio e isso só mostra o que eu sempre falei: idiotas existem em todos os lugares, times, religiões, raças e países. Mas defender o que ela fez? Achar que essa menina tem o direito de desrespeitar outro ser humano e ainda achar isso certo? Meu Deus! Jesus era, quase certamente, negro e você, sendo cristão, apóia a humilhação de negros? Qual é a coerência disso? E aí para se defenderem eles usam outros idiotas que falam mal dos religiosos para explicarem por que eles estão no direito de odiarem os gays. QUAL É A LÓGICA DISSO? Então você acha errado o ódio dirigido aos cristãos, o que é mesmo, mas está de boa quanto ao ódio dirigido aos homossexuais? E por que cargas d'água a vida de outras pessoas te incomoda? É o seu cu que os gays estão dando por aí? Não. Talvez se fosse você seria uma pessoa mais tolerante. Não quero mais falar sobre isso... eu fico desesperadamente deprimida por saber que existem pessoas assim e que era próxima de pessoas que são assim. Na verdade eu fico com nojo de mim mesma por um dia ter pensado que tal pessoa era minha amiga. O mais engraçado disso tudo é que, na verdade, quando esse ser era meu amigo ele não pensava assim, mas simplesmente, de um dia para o outro, ele decidiu mudar tudo que ele acreditava até ali e passou a ser a encarnação de satanás na Terra. Porque sinceramente é isso que eu acho. Nada representa mais a obra do diabo do que fazer e pensar o que essas pessoas fazem e pensam. Eles literalmente não veem problema no fato de pessoas estarem morrendo só por terem feito uma escolha diferente da maioria. E, na maior ironia de todas, usam Deus para justificar o fato de serem os filhinho do cão. E talvez estejam certos, afinal Deus tem que permitir qualquer obra do tinhoso. Enfim... sim, eu estou muito puta com isso tudo.
Mas vamos mudar de assunto. Sabiam que quando eu era pequena e tinha aqueles desenhos de colorir, ou mesmo quando eu mesma desenhava, e nesses desenhos tinham bola com aquelas listras eu não aceitava outras cores para pintá-las além de verde e laranja? Se eu via uma bola pintada de outras cores eu ficava incomodada. Pra mim tinha que ser verde e laranja. E eu não tenho a mínima ideia do motivo.
Outra coisa engraçada: a expressão 'mangas de camisa'. Hahaha isso é muito bom. Eu tenho certeza que deve ter uma explicação muito bonita e interessante para essa expressão, mas eu não conheço e toda vez que eu leio isso fico pensando em mangas (de camisa) cheia de camisas. E eu nem estou bêbada nessas ocasiões.
Mas chega de falar... pra variar não disse nada do que queria e fiquei falando de assuntos e pessoas desagradáveis. Ah! No próximo post vou tentar falar dos livros que li, um assunto muito mais interessante obviamente.
Beijo, beijo, mas não pra vocês, só pro Adam Scott. :)
*A parte mais engraçada é que, no fim, eu nem voto, porque estou no Pará. HAHAHAHAHAHAHA Mas eu não podia deixar todo mundo defender seus candidatos por aí enquanto eu ficava calada. Eu posso não votar, mas tenho minha opinião.