Informações não pedidas e tão pouco necessárias

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Shaed

Lendo as aventuras de Kvothe eu comecei a me perguntar qual a diferença entre sombra e escuridão. 
Bem, ele tem uma capa, feita por Feluriana, de sombra, ou o que o livro, ou melhor, a tradução do livro, chama de sombra (vou ver se consigo por a mão num original e ver como é), mas para mim ela é feita de escuridão. Quando Feluriana vai até o lugar onde ela vai colher a chamada sombra, eles tem que andar até um lugar muito muito escuro, onde não se enxerga nada... agora, não seria isso escuridão, pois para mim sombra depende da luz, não há sombra sem luz, portanto não poderia ser sombra, mas sim escuridão.
Filosoficamente falando diríamos que também não há escuridão sem luz, ou pelo menos Santo Agostinho diria isso, mas será mesmo? Em O Silmarillion - e também em O Senhor dos Anéis - temos a escuridão como uma coisa em si, não como a falta de luz, como sugerido por S. A. Mas Mirane, dirá você, é uma obra de ficção. Sim, e não são todas? Enfim, para mim a capa de Kvothe é feita de escuridão e não de sombra.
Quanto à ficção... quão difícil é para a pessoa entender a diferença entre ficção e realidade? E olha que isso vem de alguém que acredita em Hogwarts e na Terra-média (contradição? será? não seria se eles realmente fossem realidade descrita em uma ficção, o que óbvio faz deles lugares fictícios enquanto nos livros, mas reais quando em seu próprio lugar que eu sei onde fica e não vou te contar). Estou falando tudo isso porque agora além de puro preconceito as pessoas arrumaram mais um motivo para meter o pau em 50 tons de cinza. 
Não li e não tenho vontade e não to defendendo o livro, estou defendendo o direito de ficcionar (sim, inventei uma palavra). As pessoas estão dizendo que o livro, ou melhor, a série de livros, está encorajando relações abusivas e que por causa do livro mulheres estão sendo abusadas e que o hard core sex que eles descrevem está errado. Isso é a mesma coisa que culpar vídeo game e desenho animado das violências cometidas por adolescentes. O problema tá na pessoa e não nos jogos/filmes/livros. Dizem que a escritora descreve as coisas de maneira distorcida, mas e se o que ela queria representar era exatamente isso? Uma relação de abuso? Você vai me falar que não pode? Que a literatura tem que representar e narrar só flores e unicórnios? Ninguém fala que Laranja Mecânica não é literatura só porque é violento. Na verdade o que seria de tudo sem a representação das coisas ruins? Não é esse, inclusive, o objetivo dos ultra realistas que torcem o nariz pra fantasia só porque "é de mentira"? O livro é uma ficção. Se tem idiotas se baseando nele pra fazer coisa errada o problema é das pessoas (e não é sempre?) e não do livro. Você pode dizer que o livro é ruim, de mau goto, mal escrito e péssimo como referência, mas daí a fazer campanha contra o livro porque ele está "induzindo mulheres a relações abusivas" é demais, né? Sim, é. Te poupei o tempo de pensar na resposta.
Provavelmente eu poderia enrolar por linhas e linhas, mas acredito que meu ponto já ficou claro, se você tiver ao menos alguns neurônios.
Só para terminar, o instagram hoje partiu meu coração, mas fazer o que...
Também tenho que deixar registrado que estou gorda feito um boi bem grande, minha cara parece uma lua cheia e minha barriga dava para encaixar o Bombur dentro. Triste, mas verdade. Culpa desses remédios ridículos que não me ajudam em nada a não ser em parecer Moby Dick.
Dito isto, Deus lhes dê a paz alegres hipogrifos.