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I hate everything, except some things

quarta-feira, 6 de maio de 2020

"Nothing is ever really lost to us as long as we remember it" *

Eu já fiz um post parecido com esse. Novidade. Mas é que toda vez, TODA VEZ, que leio The Lord as andanças dos hobbits no começo me lembram minha infância. Sim, minha vida foi um desastre atrás do outro, mas também teve muita coisa boa. E coisas ruins.
Tinha pensado em escrever um texto sobre minhas caminhadas pelos matos da vida, que até hoje me trazem uma sensação de paz, mas aí relembrando isso me lembrei de muito mais coisa e quero falar sobre tudo. Mas é muita coisa e eu ando meio incoerente esses dias, então vou simplesmente enumerar lembranças, pulando as piores partes, óbvio, porque ninguém merece. Ordem mais ou menos cronológica.
  • tomar vacina no postinho com a minha vó;
  • tela quente passando na tv da casa da minha vó;
  • eu vestindo uma camiseta enorme da minha mãe;
  • minha mãe grávida;
  • eu e a Paula rodando o mundo na casa da minha vó com as motocas, logo de manhãzinha, quando eles iam visitar a gente;
  • os vizinhos;
  • eu indo morar na fazenda com meus tios;
  • jogo da seleção passando na tv;
  • a casa da fazenda;
  • o pé de manga na entrada;
  • a casinha do poço;
  • o girau;
  • os periquitos;
  • Snoop;
  • ir "do outro lado";
  • brincar nas taperas;
  • ler a coleção do Cachorrinho Samba inteira no pé de mixirica;
  • escrever "Quico" (A montanha encantada), meu primeiro crush ficcional, na madeira da minha cama;
  • meu amor pelo ursinho Ted;
  • ir no Seu Jão pegar poncã;
  • andar pelos matos e pastos;
  • pescar na represa;
  • nadar na represa;
  • as cobras;
  • Veinho matando a sucuri gigante com a foice;
  • Seu Donizete matando a jararacuçu dourada e colocando ela em exposição no pasto;
  • a cascavel no alpendre;
  • o pai da Denize me chamando de "Mirage"
  • o bambuzal;
  • aquela folhinha que eu arrancava do bambu e comia;
  • a horta;
  • a porteira;
  • eu pegando flor do pé e passando aquele "leite" na boca porque era meu batom;
  • eu comendo tudo direto do pé;
  • buscar carne no barracão;
  • sacos de coquinho;
  • o banheiro no meio do quintal, que era um buraco no chão;
  • andando de bicicleta no quintal;
  • aquela grama verdinha que tinha entre a casa e a casinha do poço, que eu amava;
  • as bonecas do demonho que a Paula tinha no quarto dela;
  • os bonecos do fofão;
  • eu esquecendo o Blaublau no para-choque do carro lá fora;
  • eu perdendo o Blaublau embaixo da roupa que foi recolhida do varal e morrendo de chorar;
  • quando a gente ia na vila e eu comprava sunday de morango no seu Horácio, mas não tomava tudo porque tinha que levar pro Blaublau;
  • aí ele enchia de formigas;
  • minha tia fazendo bolo de milho e colocando em cima do freezer porque eu era uma draga e queria comer tudo, aí eu não conseguia ver o bolo, mas minha mãozinha ia pegando mesmo assim, até que fui pegar mais um pedaço e tinha comido tudo;
  • minha tia fazendo batida de abacate e eu querendo mais e minha tia perdendo a paciência e fazendo um liquidificador cheio só pra mim e eu tinha que beber tudo. eu bebi e queria mais;
  • como eu era desnutrida?
  • o dia que subimos no pé de goiaba e ele caiu e todo mundo na "colonha" fazendo doce de goiaba;
  • a Dalva tirando piolho da minha cabeça o dia todo no alpendre;
  • a Paula e a Dalva me ensinando a escrever;
  • minha primeira redação, sobre uma vaca;
  • ir pra escola na perua;
  • o casamento da Dalva no barracão;
  • quando o tio Divaldo ia pra lá e a gente colocava a mesa embaixo das árvores;
  • eu, a Jéssica e o Jefferson descendo feito doidos os morrinhos;
  • o pote de bolacha de nata;
  • "Little Anne";
  • a gente tudo na sala e minha tia contando histórias;
  • os pensionistas;
  • o dia que ganhei um pianinho de presente e tava toda metida, colocando ele na cabeça dentro do carro pra todo mundo ver;
  • a jiboia no pé de goiaba "no meio do caminho"; 
  • eu indo dormir na cama da minha tia;
  • quando a gente ia nas festas em outras fazendas e eu brincava feito uma louca e depois dormia no colo da minha tia;
  • quando era normal chegar notícia que fulana tinha "fugido";
  • ir pra vila na carroceria do caminhão;
  • pegar o dicionário de inglês e ficar procurando palavra sendo a minha primeira "trator";
  • Vamp;
  • Os trapalhões;
  • brincar no meio dos pés de mandioca fingindo que era floresta,
  • subir no pé de nhambu e furar o olho;
  • Collor;
  • ficar conversando com o inspetor no recreio porque mais ninguém na primeira séria queria falar sobre futebol comigo;
  • o dia que dissociei na escola (ninguém sabia o que era isso na época, nem eu) e chorei feito uma condenada porque achava que minha tia ia morrer (mas não contei pra ninguém porque tava chorando);
  • chamada oral de Geografia;
  • os professores querendo me mandar pra quarta série quando tava na primeira porque ficava atrapalhando os outros alunos e nunca, nunca, calava a boca;
  • Seu Jair;
  • Pedrina;
  • Profa. Eliana;
  • Seu Júlio;
  • tabelinha do banheiro;
  • João Santana;
  • todos os meus amigos de escola e eram MUITOS (muitos deles na minha vida até hoje);
  • Luiz Fernando nascendo;
  • Luiz Fernando andando pela primeira vez (comigo) perto do pé de manga;
  • meu pesadelo em que estava presa no pé de manga e monstros vinham me pegar;
  • o dia que coloquei detergente no café do Neguinho (e apanhei);
  • mudar pra vila;
  • colocar roupas velhas da tia e ficar cantando Chitãozinho e Xororó com o Luiz Fernando;
  • o medo que eu tinha daquele buraco de água na oficina;
  • quebrar o pulso porque corri pra escola;
  • tirar o gesso antes da hora porque tinha festa;
  • Caio nascendo;
  • brincar de restaurante com a Carol;
  • Jefferson me ensinando a comer pão amassado;
  • as festas de aniversário da cidade;
  • as festas de Reis;
  • ir pra praça e ficar virando estrela;
  • ir na venda pra minha tia e ir virando estrela o caminho todo;
  • o papagaio do demonho da Keila e do Cleiton que me atacava na rua;
  • a gente jogando futebol;
  • eu apaixonada pelo Ronaldo;
  • as brigas entre palmeirenses e corinthianos na cidade;
  • os desfiles do gavião do Seu Osvaldo;
  • eu apaixonada pelo Roberto Carlos (jogador);
  • rolar no monte de terra vermelha no terreno em frente de casa;
  • seriguela na Ana;
  • comprar coxa de frango frita no Padrinho Antônio; 
  • ir pra Barbosa;
  • beber leite direto da teta da vaca pra caneca;
  • cajamanga;
  • jaca;
  • jabuticaba;
  • eu montando um bezerro e caindo;
  • todos os primos lá;
  • o dia que fomos pra Barbosa e o tio e a tia estavam num casamento e nós fomos atrás (convite pra quê?) e aí meu tio contando que a fazenda era do Roberto Carlos e eu morrendo;
  • a prainha;
  • ir visitar a vó em Cassilândia;
  • a balsa;
  • uma vez que fomos na casa de alguém no Mato Grosso e passamos em cima de uma cobra enorme;
  • as benzedeiras;
  • eu passando talco na cara pra tirar oleosidade;
  • comícios;
  • merenda da escola;
  • visita do Covas;
  • aulas de teclado com a Eliade (que lembro até hoje);
  • ir pra casa da Deuvania no sítio, morrer de ler turma da mônica e depois ir pra casa da Flávia;
  • entrar em qualquer buraco com água porque, né? o que tinha na cabeça?
  • ir na casa da Lucinéia;
  • casamentos;
  • andar de patins;
  • andar de bicicleta;
  • correr no campo;
  • a rádio da cidade, que a Solange cuidava, e a gente ficava pedindo Sandy e Junior e Só Pra Contrariar;
  • as escadarias da igreja;
  • as formaturas;
  • meu primeiro beijo atrás da igreja;
  • o dia que a Dalva perguntou por que eu não lavei a panela de pressão e eu disse que era porque ela era muito grande e aí ela respondeu "fulano também é grande e você não tem problema pra beijar ele";
  • festivais da canção;
  • encontros de jovens;
  • a primeira vez que teve rivalidade na política na cidade e surgiu um grupo de neo-nazis;
  • festas juninas, em que eu sempre dançava alguma coisa;
  • teatro de A espada era a lei;
  • teatro de Mudança de hábito;
  • TITANIC;
  • Segunda Guerra Mundial;
  • minhas dublagens;
  • Paula indo pra faculdade;
  • mudança para Birigui;
  • primeiro dia de aula e o Corinthians tinha perdido o Paulista pro São Paulo;
  • eu aprendendo a andar de ônibus;
  • eu indo a pé pra escola;
  • trabalhando no escritório;
  • Seu Pedro;
  • JN;
  • brincando de esconde-esconde nos caminhões;
  • medo do fantasma do Hitler;
  • subir no teto do posto e ver o sol se pondo;
  • ir na casa da Elenice e andar a cavalo pelas "florestas";
  • a avenida;
  • cerveja no saquinho pra fingir que era guaraná;
  • Julie;
  • eu fazendo a Julie dormir cantando Britney Spears;
  • Judite;
  • refeitório;
  • Jéssica e Thaila em casa, nós rindo feito loucas, indo ao parque e inventando uma língua;
  • o dia que eu e a Thaila gastamos o dinheiro do ônibus e aí fomos a pé pra casa e, pra cortar caminho, tentando subir no barranco da linha do trem e caindo; 
  • Copa de 98;
  • primeira tentativa de suicídio;
  • BACKSTREET BOYS;
  • segunda tentativa de suicídio;
  • meu pai perguntando se eu estava grávida ou usando drogas pra querer me matar;
  • grupo de jovens;
  • igreja; 
  • teatro;
  • Deise e Ivan;
  • ensaios e shows;
  • curso de teledramaturgia;
  • O SENHOR DOS ANÉIS;
  • Itápolis;

Ok, cansei. Lembrar cansa. Talvez mais outro dia. Saudade de muita coisa... e ainda tem tanta, TANTA coisa.

* L. M. Montgomery

segunda-feira, 20 de abril de 2020

MAMA

Okay, peoples! Hora de post considerado polêmico por algumas pessoas e que eu falho miseravelmente em entender o porquê.
Nossa, nem sei como começar. Bom, então... quero dizer que esse post teve origem devido a uma pessoa em particular que vem enchendo meu saco com isso por uns dois anos já. Fora a cobrança social, mas com isso eu não ligo 99% do tempo.
Vamos lá.
Sim, quando eu era criança e adolescente, eu sonhava em ser mãe, em ficar grávida. Mas isso mudou. E, não, não mudou por falta de oportunidade, sua linguaruda. Eu realmente, do fundo do meu coração, prefiro morrer a ter um filho. Bom, mas eu prefiro morrer a qualquer coisa então isso não conta muito... mas o caso é... eu prefiro, hmm... ver o Palmeiras campeão do que ter um filho? Sim, com certeza. Até o United. Quero dizer, eu tenho que ver de qualquer jeito, né... pelo menos vejo sem ter uma cria. Mas, aqui, cabe alguns esclarecimentos.
Gente, de maneira nenhuma quero desrespeitar as mães ou as crianças. Sinceramente, acho lindo uma pessoa estar disposta a mudar a vida dela pra acomodar uma pessoinha. Ou mesmo se engravidou por acidente, mudar tudo pra essa chegada inesperada. Não tenho nada além de respeito e admiração. Mas, e isso vale só pra uma meia dúzia, para de ser um pau no cu!
Não vem na minha cara romantizar sua gravidez por acidente porque eu e todo mundo sabe muito bem que você preferia estar biscateando por aí. E não tem nada de errado nisso. Biscateia mesmo! E, veja só, você pode biscatear depois de ter filho também! Mas aí vir com conversinha de "ai, foi a melhor coisa que me aconteceu" EU DUVIDO. DUVIDOOOO. Claro, você se sente na obrigação de falar isso, né... e que bom que, daqui há uns anos, quando seu filho/filha estiver grande e ler todos os seus posts do quanto ele/ela é a melhor coisa da sua vida, isso vai fazer dele/dela uma pessoa amada e feliz. E isso é maravilhoso, mas não vem diminuir a vida dos outros só porque você deu cria e os outros não??? Bom pra você, sabe... YAY! Mas você não é a última bolachinha do pacote só porque pariu.
Primeiro, nem vou entrar na discussão de "maternidade é um conceito que foi socialmente criado e não um sentimento inerente ao ser humano". Acredite no que você quiser. Mas chega a ser desrespeitoso com quem adota, por exemplo. E daí que a criança não saiu da barriga da pessoa. É menos filho por causa disso? A mulher é menos mulher por não ter parido ou por não querer parir? Sério? Eu me considero muito mais humana que minha mãe. Ela pariu duas crias e largou no mundo. Pra quê? Eu pelo menos não estou jogando em cima de ninguém o fardo de viver.
Agora, claro, que eu não devo explicação nenhuma da minha vida pra ninguém, mas eu gosto de escrever e hoje estou entediada, então vou contar pra vocês porque mudei de ideia.
Um dos primeiros motivos foi o filme "Um grande garoto" (About a Boy). Assistam, é muito bom. Não vou dar spoilers, mas, olha, foi um choque assistir aquele filme, porque até ali eu queria ter filhos. Mas eu percebi, com aquele filme, que seria de um egoísmo absurdo de minha parte ter um filho com os problemas mentais que eu tenho. A maioria de vocês sabe do que estou falando. Eu não tenho condições psicológicas para ter uma criança. Sim, no filme, tudo acaba bem. Mas aquilo é ficção, não é vida real. Eu sei como eu sou, eu sei dos meus problemas e eu sei que a chance de qualquer melhora é mínima porque eu estou em tratamento desde os 15 anos. Tenho quase 36 agora e... oh boi... eu só piorei. Já conheci pessoas com depressão que me falaram que ter um filho ajuda e que "mudou a minha vida". Mas, 1. eu não tenho só depressão e 2. eu não quero ter um filho pra me curar??? Que diabo de mãe eu seria se resolvesse ter um filho só pra me sentir melhor? Voltarei nesse ponto.
O caso é que, quando eu queria ter filho, eu queria ter porque eu queria ser a melhor mãe do mundo. Eu achava que quando eu crescesse eu teria um emprego lindo e uma casa e um marido e então eu poderia dar tudo para minha criança. Ai ai... sim, claro, tudo isso é fruto dessa sociedade machista que espera que nós, mulheres, estejamos aqui pra casar e ter filhos. Meu cu.
Mas, tá. Aí não queria mais ter filho. Mas seeeeempre quis ficar grávida. Tipo, acho a coisa mais linda do universo. Aquele barrigão lindo e... sei lá, mulher grávida é uma coisa maravilhosa. Então por um tempo eu realmente considerei engravidar e depois dar o bebê pra adoção. Mas eu JAMAIS conseguiria fazer isso, eu sei. Se tivesse acontecido de eu ficar grávida, eu ia tentar fazer o meu melhor pra ser uma boa mãe. Graças a Deus não aconteceu.
Aí eu fui crescendo mais, quer dizer, ficando mais velha... parei de crescer faz tempo... e aí comecei a pensar "quem, em sã consciência, decide trazer um ser vivo pra esse mundo???". Tipo, olhe em volta??? olha esse hospício que a gente vive... hoje mais ainda... sério que você acha uma boa ideia trazer um ser humano pro meio disso? Ainda penso isso, mas tenho noção de que esse é um pensamento individual pessimista marcado pelas minhas experiências ruins. Mas volta e meia penso "pra que vc quer ter um filho? status? por que apesar de todo o seu discurso feminista vc também acha que o papel da mulher na sociedade é procriar?" Sei lá... se acontece e vc decide ter o filho, eu entendo perfeitamente. Mas querer? Tipo, tentar ficar grávida? E trazer um ser humano pro mundo? Gente, desculpa, eu não entendo. Eu sei, nessa parte aqui eu estou sendo bem chata, mas só estou dizendo o que eu penso. Eu não sei o que aconteceu que me fez ter essa aversão a ser mãe, mas olha... se vc me perguntar do que eu mais tenho medo no mundo, minha resposta é: ficar grávida. E é muito estranho porque eu ainda acho que ficar grávida é lindo e deve ser uma experiência incrível, mas o pensamento de ser responsável por uma vida além da minha me aterroriza mais que a morte. Tipo, eu precisei de anos de tratamento pra conseguir ter um gato??? Agora dois. E eu sei que quem é mãe me odeia por isso, mas eu considero minhas gatas minhas filhas, sim, e eu passo noites sem dormir de preocupação. Às vezes penso "o que eu tinha na cabeça? eu não tenho condição de cuidar de um ser vivo!", mas aí a Mer me olha com aquela carinha fofa dela e meu coração derrete. E eu imagino que deve ser algo assim, talvez mais intenso ou não, com um ser humano, mas eu não consigo imaginar. Ontem a Mer apareceu com a boca machucada e a Fin está com um arranhão nas costas. Eu já não consegui dormir, chorei, rezei, desejei que pudesse morar em um lugar em que elas não saíssem de casa (meu sonho). Mas elas são gatos. Se um dia eu mudar pra um lugar sem acesso à rua elas vão estranhar, mas depois acostumam. A Mer quase nem sai mais. Mas você não pode fazer isso com um ser humano. Você não pode prender seu filho com vc pra sempre por mais que vc queira e é por isso que eu admiro muito muito muito quem escolhe ter um filho. Eu jamais conseguiria existir sabendo que minha cria um dia estaria por aí nesse mundo estúpido.
Então, assim... eu tenho noção de que minha decisão de não ter filhos e de achar egoísmo por parte das pessoas querer ter filhos é uma consequência da vida de merda que eu tive, mas eu entendo seu lado. De algum jeito eu realmente entendo. Por exemplo, uma professora que trabalha com o Fer quer muito ter filhos e ela engravidou e perdeu o bebê. Nossa, quando o Fer me contou, e até agora, meu coração dói. Deve ser uma das piores coisas do mundo porque eu já tive muito medo disso. Antes, quando queria ter filhos, tinha pesadelos de que não podia. Minhas histórias de quando eu tinha 11, 12 anos, eram de mulheres que queriam ser mãe e não podiam. Meu maior medo era que quando eu finalmente tivesse um filho e fosse feliz e não quisesse mais morrer, então eu morreria. Aquela novela da Globo lá, da Betina, que morreu no parto, me traumatizou. Mas tudo isso mudou. Infelizmente ou não, eu mudei e agora eu não tenho a mínima vontade de ter filhos. Na verdade tenho medo. Mas isso não quer dizer que não goste de crianças. Amo meus sobrinhos e sobrinhos-netos (sim, sou tia-avó). E tenho uma admiração enorme por você que por livre e espontânea vontade decidiu criar uma vida, mesmo que eu não entenda o sentimento. Ou você que ficou grávida por acidente e decidiu ter o filho. Vocês são muito fodas e eu desejo do fundo do meu coração toda a felicidade do mundo pra você e seus filhos.
Mas...
Então... não me venha dar uma de abençoada e única pessoa realizada do mundo porque você pariu. Sim, eu tenho certeza que deve ser uma experiência mágica e única. Mas sabe o que também é? Ir ao Anfield ver o Liverpool jogar. Ir ao Wolvercote Cemetery ver o túmulo do Tolkien e sentar no banquinho verde. Ler O senhor dos anéis. Defender uma tese de doutorado. Eu não sou nem um pouco melhor que você porque tive experiências diferentes das suas. O que quer dizer que ter parido uma cria não te faz melhor que eu ou qualquer outra pessoa no mundo, seja por escolha ou não. E quando você começar a falar merda no meu facebook de que "mulher que não tem filho não sabe o que está perdendo" eu vou ligar o meu botãozinho da maldade e mandar vc tomar no cu e cuidar da sua vidinha enquanto eu durmo até às 17h sem nenhum compromisso ou obrigação. Claro, eu sou inútil, mas livre, leve e solta, meu amor, e não tem uma gota de arrependimento aqui. Enquanto vc tá aí trocando fralda suja eu to aqui sendo linda, pintando meu cabelo de rosa e assistindo meu time fazer 4-0 no Barcelona. E, na minha opinião, minha vida é muito melhor que a sua, mas eu não fico no facebook te falando isso, né?
Ok, eu fui bem chata aí no fim, mas meu DEUS como irrita gente que... gente. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

You'll Never Walk Alone

O aniversário de dez anos do blog foi em dezembro e eu não consegui vir escrever alguma besteira de comemoração. E eu tenho um milhão de coisas pra escrever, mas hoje, eu vou falar de outra coisa, que na verdade não chega a ser outra, mas definitivamente não é o que você estava esperando.
Quem me acompanha há alguns anos sabe do meu amor por futebol e pelos meus dois times, Corinthians e Liverpool. Quanto ao Corinthians não tive muito o que reclamar nos últimos anos: Brasileirão, Libertadores, Mundial, Brasileirão, Brasileirão... sem contar os Paulistinhas e supercopas.
Mas aí tinha o Liverpool, o gigante esquecido, o maior campeão inglês, o inglês com mais Champions, um dos maiores clubes do mundo. O gigante que tentava resgatar as glórias das décadas de 70 e 80, que, pra mim, eram só histórias e lembranças. Passar tardes assistindo a final da Champions de 77, 78, 81 e até a de 2005, mais próxima, mais heroica, que dava uma certa esperança. Mas a realidade era bem difícil. 
Tropeços após tropeços... vem Roy Hodgson, não acontece nada. Time horrível, Liverpool na segunda parte da tabela.
Aí vem o Rei: King Kenny. As coisas pareciam melhorar, boas contratações, título da Copa da Liga... mas no campeonato era sorte estar entre os oito primeiros. Na verdade esse era o objetivo: SER OITAVO. Isso me incomodava, mas era o que dava pra fazer, né. Aí perdemos a Copa da Inglaterra pro Chelsea e bye bye King Kenny!
A briga começou, pra mim, antes de eu olhar para aquela cara odiosa. COMO ASSIM a FSG achava que o caminho para melhora incluía o técnico do Swansea? Mas eu dei várias chances a ele, várias e ele só fodia o time. É claro que estou falando de Brendan Rodgers. O cara que colocava um time apático em campo e dizia ter sido "outstanding", o cara que teve a coragem de dizer (em um jogo que perdemos por 3-0, com todos os gols no primeiro tempo) que pelo menos a gente teve um "clean sheet" no segundo tempo. O cara que começava a temporada dizendo que o objetivo do time era se classificar para a Champions League e não conseguia.
Mas aí, um ano, ele conseguiu classificar o Liverpool pra Champions League. E o que ele fez? Poupava jogadores na Champions para jogar o campeonato, cujo objetivo era... se classificar pra Champions League.
Minhas memórias do facebook não me deixam esquecer toda a raiva, todo o ódio que eu sentia por esse traste. Nem vou mencionar as questões particulares e como ele se desfez de todos que significavam alguma coisa para o clube. Ele é treinador de time pequeno e o Liverpool NÃO É um time pequeno, independente da fase. Como diria nosso grande Shankly, e que se aplicava perfeitamente ao tempo que passamos com o Brendan Rodgers "Aim for the sky and you'll reach the ceiling. Aim for the ceiling and you'll stay on the floor." Era a gente, mirando o telhado e ficando no chão, num ciclo sem sentido e eu chorei e chorei porque eu achava que aquele era o fim. Estávamos condenados à mediocridade e viveríamos apenas de lembranças.
E então veio o Klopp. Chorei de novo, dessa vez de alegria. Um técnico de verdade, que entende o clube que ele está assumindo. E ah... como entende... Não falo isso porque ele já chegou mudando a mentalidade do clube ou porque levou a gente a duas finais logo de cara. Ele entende porque provavelmente o que ele falou primeiro foi "o objetivo é ganhar".
No campeonato? Ganhar.
Na Champions? Ganhar.
Nas Copas? Ganhar.
E foi assim que ele começou. Teve problemas, lógico, mas agora tudo tinha mudado. O objetivo não era ser "um dos" mas sim "O".
E nós fomos.
O campeão da Champions.
O campeão da Supercopa Europeia.
O campeão do Mundo.
E no campeonato? Que é, neste momento, o título mais importante para nós?
Líder. 16 pontos de vantagem. Com um jogo a menos.
Hoje, o Liverpool é, de novo, considerado o melhor time do mundo e não só porque a gente ganhou o Mundial. E estou vivendo isso. Eu não tenho palavras. Todas as vezes que o povinho da ESPN tem que dar mais uma boa notícia do Liverpool eu lembro da satisfação na cara deles de quando éramos uma piada na Inglaterra. Hoje, eles têm que engolir. O Liverpool voltou ao seu lugar de direito e tenho certeza de que não pretende sair tão cedo.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Eles podem não existir, mas são reais

Eu tava pensando como algo que não é real pode existir. Geralmente usamos os termos “ser real” e “existir” como se fossem sinônimos. Tipo “não se preocupe, Pedrinho, dragões não existem, eles não são reais”. Mas não são. Claro que isso leva a toda uma discussão filosófica sobre o que é real ou mesmo a uma discussão simples sobre a definição de dicionário de “real”. Não importa. Só queria dizer que, às vezes, coisas que são reais não existem e coisas que não existem são reais. Se dragões não são reais, por favor me explique como já li milhões de páginas sobre eles?

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Só pensando

Eu devia estar dormindo. E digo isso realmente querendo dizer exatamente isso; não é somente um jeito de começar um post que, aposto, já usei antes. Mas, enfim, não estou dormindo e estou aqui pra falar de uma coisa que já foi falada muitas vezes e que eu queria muito poder acreditar.
Estava pensando como minha vida está uma merda. Super gorda, sem pescoço, com papo, uma barriga do tamanho de uma grávida de 8 meses (sem exageros), sem cabelo, com a cara cheia de espinhas, sem trabalho, sem dinheiro, sem vida social e sem nenhuma utilidade para o universo. Não estou me diminuindo aqui, isso foi uma descrição. E, no entanto, nada disso devia me fazer pensar que meu único caminho é morrer, pois nada disso me define. Por que eu tenho menos valor só por ser gorda ou pobre? Falhei aos olhos da sociedade? Sim. Mas que se dane a sociedade. Eu já tenho doenças demais pra lidar e não to a fim de adicionar “ligar para o que os outros pensam”. Mas aí vem “o que eu penso” e o que eu penso é que tudo isso me faz me sentir horrível, inútil, completamente descartável. Eu sei que eu fui condicionada a me sentir assim. Não tem um dia em que alguém ou alguma coisa não jogue na minha cara o fracasso que eu sou. Mas eu não devia ligar, certo? Certo. Mas infelizmente eu ligo.
Então estou aqui, um balão gigante cheio de espinhas, tentando me convencer de que não preciso ser diferente do que sou para ter valor e falhando miseravelmente. Como sempre.

domingo, 3 de março de 2019

Ou

Olha, se tem uma coisa que me incomoda é essa mania de “ou”. Isso ou aquilo. Eu não sou uma pessoa de “ou”, sou uma pessoa de “e”.
Gato E cachorro. Lua E sol. Montanha E praia. Chá E café. Pink E preto. Dia E noite. Frio E calor. 
E, sinceramente, meio que me irrita gentes com muitos ous. Tudo bem, cada um tem suas preferências, mas a vida é mais do que meras dicotomias e, ao contrário do que nos fazem acreditar, não temos que escolher entre uma coisa ou outra, nós podemos ter os dois, três, quanto quisermos. 

domingo, 27 de janeiro de 2019

O que as palavras fazem quando não estamos olhando

- Em outubro de 1823, Maria Ana contou ao seu irmão que sua melhor amiga planejava mudar sua preferência quanto ao sabor de sorvete que ela sempre pedia.
- Quê? Por que ela tá falando isso?
- Porque ela quer. Qual o problema?
- Mas o que ela disse não faz o mínimo sentido. Ela é louca?
O amigo o encarou por alguns instantes, sem entender, até responder:
- Não. O que exatamente está te incomodando? Não estou entendendo.
- Cara, do nada ela começou a falar essas coisas nada a ver...
- Sim, e daí?
- Não faz sentido!
- Por que não?
- Por que não? Como assim por que não? Que diabo de irmão e sorvete... você entendeu alguma coisa do que ela falou?
- Sim, eu entendi tudo o que ela disse, você não? Ela foi bem clara.
- Clara? Meu Deus!
- Mano, qual seu problema?
- MEU problema? MEU? Qual o problema de vocês? Não tem nada a ver...
- Nada a ver com o quê?
- Com nada!
- Você é confuso.
- Eu? Ela fala um monte de coisas sem motivo nenhum e eu que sou confuso?
- Qual o seu motivo para estar falando?
- Não importa!
- Se o seu não importa, por que o dela importa?
-Porque não é... normal. Não faz sentido.
Todos riem.
- Amigo, eu acho que você tem problema, sério. As pessoas nunca precisaram de motivos pra falar e nunca houve necessidade de "sentido".
- Como assim? O que tá acontecendo aqui?
- Mercado do Peixe de Amarica, 1942.
-Sim, realmente.
- Como na ilha de Isoto.
- Mas nada para comprar sapato.
- Ameixas!
O homem olha assustado ao seu redor para as pessoas que estão conversando quando uma moça se aproxima e sussurra em seu ouvido:
- Você está estranhando porque acha que não há conexão alguma entre as palavras e as frases, mas a verdade é que há conexão demais.
Ele a olha confuso e desesperado e ela continua:
- E a verdade, amigo, assim como nos pastos de Rá, é que nada importa, nada importa, nada importa.

Sou linda

Gente, eu juro que eu tinha algo pra falar quando peguei o computador, mas aí ele demorou uma hora pra ligar - literalmente - e eu acabei esquecendo.
Bom, primeiro, wow! Faz quase um ano que não escrevo aqui. Um monte de coisa aconteceu e, quem diria!, eu mudei. Um pouquinho, pelo menos.
Ah, não, vou parar com esse negócio idiota de ficar me diminuindo "sou feia, sou gorda, sou chata"... sou gorda mesmo, e daí? Isso não me impede de ser uma princesa.
Devido ao meu condicionamento social, lógico que eu prefiro ser magra, mas comer é muito bom e eu já sofri demais pra me privar de coisas boas da vida.
É fácil? De jeito nenhum. É muuuuuito difícil, mas todo santo dia quando eu acordo eu me olho no espelho e penso MARAVILHOSA! Na maioria do tempo eu não me convenço, mas continuo tentando, todo dia, porque gente pra me colocar pra baixo é o que mais tem e eu não vou ajudar.
Claro, tem a porcaria das minhas doenças mentais e eu estou lidando com elas como posso, mas eu parei com a auto depreciação. Me achar linda, inteligente, maravilhosa é a melhor resposta que posso dar para todos que desejaram meu mal por tanto tempo (cof cof, "família").
Sou linda, sou doutora, tenho um monte de Tolkienzinhos, amigos, a gata mais linda de todas e um emprego que eu amo. Sim, amo. Nunca imaginei que suportaria ser professora, mas agora não consigo me imaginar fazendo outra coisa. A área pode mudar: português, história, física, etc., mas ser professora foi uma das melhores surpresas da minha vida. Sabe aquele dito (que não sei muito bem como é, vejam só) "ame o que você faz e não precisará trabalhar um dia de sua vida", ou algo assim? Pois é. Acho que mesmo se ganhasse na loteria e não precisasse trabalhar nunca mais ainda assim gostaria de dar aula.
Enfim, finalmente me desapeguei de algumas coisas que antes achava essencial e percebi que tudo que tenho é tudo que preciso. Sonhos, desejos, objetivos, todos temos, mas pela primeira vez na minha vida eu estou vivendo o que tenho e não um ideal inalcançável.
Então é isso. Sou linda. Se ache linda/o também e que se dane os padrões sociais.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

I was going to write something

but then I decided to love my cat instead.
I can do both of course. but I rather not to.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

RESULTADO DA PROMOÇÃO

Bem, ninguém além do Fer participou, então...
PARABÉNS, FER!
Prêmio a caminho e a gente vai tirar umas fotinhas pra matar todo mundo de inveja.
Beijos. 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

I am drunk, I drink beer, won't you dance around with me ou Promoção 4, a última

Hey hey hey!
E chegamos ao último post da promoção. E, adivinha só, ninguém liga.
Quer saber? Nem eu. Mas eu não vou dar uma de chatonilda como da última vez. O prêmio tá comprado e é perfeito. Que se dane. Meu blog é lindo e se você não está lendo quem tá perdendo é você. :)
Então, vamos lá.
A última fase da promoção, que é essa aqui, é responder às 10 questões que colocarei abaixo.

LEMBRANDO:
* Só estará participando quem respondeu a todas as perguntas (deste e dos outros posts)
* A promoção se encerra às 00:00 do sábado, dia 09/12/2017
* Vou publicar o resultado quando eu quiser
* Quem escolhe o vencedor sou eu e, sim, é subjetivo, mas também tem como critério:
- correção das respostas (em que isso se aplica)
- criatividade
- sinceridade (enfeitar resposta pra me engambelar não adianta)
* Se entendeu a referência do título deste post ganha 1 ponto

PERGUNTAS:

1. Se tudo fosse perfeito e o mundo lindo e você pudesse correr por campos verdejantes pela eternidade, qual seria a raiz quadrada de uma melancia?

2. Se você fosse o chefe do universo, de que cor pintaria o céu?

4. Se você tem dois tamanduás, qual o nome da sua girafa?

3. O sentido da vida não é 42.

5. É frio ou calor?

6. Você teria notado que os números três e quatro estão invertidos se eu não tivesse falado?

7. Quem é mais fofo, um Velociraptor ou um T-rex?

8. Você só pode lembrar de algo que esqueceu, mas como lembrar de algo que você esqueceu? 

9. Se os sentimentos são conceitos - e substantivos - abstratos, como saber ao certo se eles realmente existem?

10. Se todas as histórias terminam do mesmo jeito, por que algumas são consideradas alegres e outras tristes?

BOA SORTE!

domingo, 22 de outubro de 2017

A caipirinha de morango com tequila ou PROMOÇÃO 3

Oeee
Não, eu não estou bêbada.
Embora seja cinco e pouco da manhã de um domingo sem jogo do Corinthians (inaceitável) e eu tenha acabado de fazer uma caipirinha de morango com tequila. Como dizem, a noite é uma criança. E eu sou uma adulta irresponsável. YAY.
O que eu tenho pra falar? Sério? Você vai me perguntar isso? Aqui?
Não tenho nada para falar. É só um daqueles dias em que quero escrever. Podia tá escrevendo o resumo do meu capítulo, escrevendo um dos meus três livros ou até meu projeto de pós-doc, mas não. To aqui.
Estar aqui é como a caipirinha de morango. É necessário? Não exatamente, mas eu quero, então que se dane.
Com certeza vou me repetir de algum jeito porque não tenho nada novo pra falar.
Exceto uma coisa, que eu não posso falar.
Oh! Vamos brincar de mistério!
Vou escrever em código.

Why do you call me?
When you know I can't answer the phone

I don't believe that anybody
Fells the way I do, about you now
There are many things that I
Would like to say to you but I don't know how

Fuck you, fuck you very very much

Does it help?
No it doesn't help at all

Ok, chega disso. O mistério acabou.
Tá chovendo e eu queria encontrar um meio de expressar o sentimento da frase "a vida não tem o mínimo sentido" com outras palavras para fazer as pessoas entenderem. Ir além das palavras, essas já não servem mais. É por isso que a gente gosta de ficção. É o único lugar onde as coisas fazem sentido, mesmo quando não fazem. Você sabe o que esperar da ficção. Talvez não antes de abrir o livro ou de começar o filme, mas as coisas vão se organizando de um jeito que você acaba se preparando para o que está por vir, mesmo que seja surpreendente.
Na vida, não. É tudo uma bagunça. Não importa o que você fez ou deixou de fazer, suas escolhas não importam, o caminho que você escolheu seguir não importa. Nada importa. As coisas só acontecem. E quando você fica mais velha e acha que tá pegando o jeito da coisa BAM!
Sabe quando as pessoas dizem que sua vida pode mudar completamente em um segundo? É verdade. E é verdade que não importa o que você tenha feito.
Ok, isso não faz o mínimo sentido, mas é verdade. E é por isso que eu tenho tanto medo de viver. Porque qualquer coisa pode acontecer a qualquer minuto. E, vamos combinar, com o meu histórico, não pode ser coisa boa.
Agora, se o que eu disse fizesse sentido, meu histórico não deveria importar, certo? Seria possível que acontecesse uma coisa boa para mim e mudasse minha vida pra melhor. Então por que nunca acontece? Por que o sentimento de isso ser impossível nunca me abandona?
Claro que, muito provavelmente, eu que não percebo as coisas. Ninguém percebe. Se há uma coisa que podemos concordar em relação à raça humana é que a gente não percebe quanta coisa boa a gente tem até começar a perder. Se eu perdesse o que tenho hoje seria terrível, e ainda assim estou eu aqui querendo mais.
Mas eu mereço pela droga de vida que eu tive.
Fer sempre diz que não é assim que funciona, mas devia ser.
E quando eu penso sobre o que eu quero tem sempre várias coisinhas, e coisonas também. E, neste momento, me contentaria com uma só, mas eu me conheço e sei que estaria querendo mais alguma coisa logo em seguida. Mas no fundo, no fundo, só tem uma coisa mesmo que eu quero, que resolve todos os problemas, os desse post e de todos os outros. E eu sei que eu não quereria mais nada depois disso, não importa o que aconteça.
Todo mundo sabe o que é, não preciso escrever.
Eu fico me iludindo com o pensamento de "se eu consegui isso as coisas vão melhorar". Não vão. Eu sei por experiência que não vão, mas eu insisto em me iludir, achando que uma coisa ou outra vai me fazer melhor, mas eu sou quebrada por dentro e, não importa onde ou com quem um brinquedo quebrado esteja, ele ainda vai estar quebrado. Mas talvez alguém se importe o suficiente com o brinquedo para tentar faze-lo funcionar outra vez, mesmo que não perfeitamente. Acho que essa é minha esperança. Acho.

Sabia que eu não existo?
É difícil explicar e eu não estou com saco, mas é verdade. Não, não quero dizer no sentido F.I.T.I.S da coisa. É verdade, mas não completamente.
Não, quero dizer no sentido literal, humano, psicológico de ser. Eu não sou. Como isso é possível?
Vocês já pararam pra pensar coisas do tipo "e se aquela coisinha de nada que me aconteceu não tivesse acontecido? Quão diferente eu seria?". Efeito borboleta e tal.
Então. Eu sinto como se a pessoa que eu deveria ter sido, caso a primeira merda que levou a todas as outras merdas não tivesse acontecido, é tão completamente diferente do que eu sou.
Claro, eu sei, a vida faz isso com todo mundo, uns mais, outros menos, e a gente sempre é resultado daquilo que vivemos, das nossas escolhas e experiências (olha que bonito eu me contradizendo no mesmo post haha).
Mas e se durante o tempo em que as escolhas eram feitas por você, sem nada que você pudesse fazer, um grupo de pessoas decidisse fuder sua vida? E quando você chegasse ao ponto de tomar suas próprias decisões não houvesse mais opções pois tudo o que lhe ensinaram até ali te leva a um único possível desfecho?
Eu poderia falar disso pra sempre e ainda teria coisas pra falar.
Imagine se a gente tivesse uma "Noite dos grandes pedidos", igual do livro.
O que eu pediria?
O pedido da ilusão ou o da solução?
E você, pediria o quê?

PROMOÇÃO: Responda a última pergunta.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Post do desassossego

São quase duas da manhã, o que é nada pra mim, mas esse é um fato importante. E eu estou aqui porque bem, eu não tenho outro lugar pra estar e ninguém pra estar com.
Esse mês é mês de falar sobre suicídio e depressão e quem conhece esse blog sabe que isso não me deixa nada feliz. Talvez setembro devesse ser o mês de falar sobre hipocrisia.
Metade das pessoas que eu conheço ignoram completamente o assunto e a outra metade tem a cara de pau de fingir que se importa. 
Pergunta: você realmente acha que por um laço amarelo no seu perfil do facebook ajuda de algum jeito? Ou, sei lá, talvez não seria melhor você conversar com alguém que precisa?
É muito bonito fazer de conta que liga, né?
E aí eu, estúpida, fico aqui chorando de raiva.
"Ah mas por quê?"
Por quê? Deixa eu te falar por que:
Porque tenho que ver gente que falava que minha depressão era graça e que minha tentativa de suicídio era "só pra chamar atenção" agora colocando lacinho amarelo. Pessoas que sabem que eu preciso delas, mas se fazem de desentendidas porque... quem tem paciência com gente depressiva e suicida, não é mesmo? Quem quer ter isso atrapalhando sua vida quando se pode fugir? Imagine só. Por que se importar quando você pode virar as costas, olhar pro outro lado e colocar um lacinho amarelo.
Vocês nem imaginam onde eu quero que vocês enfiem esse lacinho.
Vamos fazer assim, deixemos de lado meias palavras e sejamos honestos. Eu to falando de mim. Sim, de mim. Eu tenho depressão e eu sou suicida. Desde sempre. 99% das pessoas que me conhecem sabe disso. Não sei quem vai ler isso, mas se alguém ler eu aposto que já sabe.
Então vamos lá. De todas essas pessoas, devo ter umas 200 no facebook. Adivinha quantas colocaram lacinho amarelo no perfil. Vou responder pra você: várias, várias pessoas colocaram.
Agora quantas, no último mês, ou ano, vieram me perguntar como eu estava? NENHUMA.
Ninguém pergunta.
E aí to aqui tendo que ver todo mundo de lacinho amarelo. Porque apoiar uma causa abstrata é super legal, né? 
Ontem eu terminei de assistir 13 Reasons Why. Sim, aquele da menina que se mata e deixa 13 fitas falando porque ela se matou. E eu queria chorar de raiva. Ela tava lá todo o tempo, desesperadamente pedindo por ajuda, todo mundo via, todo mundo ignorava. Aí ela se mata. E o idiota ouvindo a fita chora e arranca os cabelos porque ele queria ajudar mas agora não pode mais. Sério? SÉRIO?
Ela tava lá todo o tempo, eu to aqui todo o tempo, 33 anos aqui. Por que ninguém quer me ajudar agora? Por que vocês vão querer ajudar só depois que eu morrer? Ah... eu sei por que. Porque aí continua sendo abstrato, né? Você não tem que lidar com nada, só chorar e repetir "se soubesse eu teria ajudado". Mas você sabe. VOCÊ SABE. Mas vai continuar não fazendo nada porque é muito mais legal fingir que isso não existe no mundo de verdade e é só um conceito, um lacinho amarelo bonitinho.
No fim acho que tenho é sorte, não é mesmo? Pra que eu ia querer um bando de hipócritas fazendo de conta que se importam quando na verdade não dão a mínima? Mas eu não to falando isso só por mim, to falando por todo mundo que passa por isso. Parem de esperar as pessoas morrerem pra querer ajudar. Se quer mesmo tem que fazer enquanto a gente ainda tá vivo. Tira o lacinho do facebook, ou deixa, tanto faz, mas vai conversar com quem você se importa antes que seja tarde demais.

P.S. Todo meu amor ao Fer por ser a pessoa que se importa comigo.
P. S.2 Nem sonhem em vir falar comigo depois desse post, não to a fim.

sábado, 2 de setembro de 2017

F. I. T. I. S is back of course

Today I feel like writing in English because of reasons and I don't care if people can't read it I just need to write. This is for me.
One of the many many many many downsides of my illnesses is that sometimes I can't tell if I'm being unreasonable or if I have the right to be upset about something. I can't tell if someone is being selfish or they are just taking care of themselves.
And I can't ask. 
This sucks.
So I end up alone again with no one to talk (except for Fer, poor thing).
Sometimes I think "maybe if I make myself usefull for that person they will need me" because that's my life.
No one keeps me around because they like me or enjoy my company. They keep me around when and if they need me. Who cares what I need? I am the most insignificant person in the world.
But I'm done making myself useful to have some company. I am a useless piece of trash and if you like me deal with it. If you don't just please leave me alone. I'm tired of being needed and not liked. It's not because you found someone interesting and don't need me anymore that you will just walk away not caring at all about the fact that I also need you and like you. I won't walk away like you do if ever I don't need you because I also like you.
Again: how do I manage to be so insignificant? It's like people think "oh damn something is going wrong in my life, let me be friends with Mirane because her life sucks so badly that it makes me feel better" and then when they're good "bye I don't need you anymore".
What about me?
What about me?
I guess I just don't matter at all.

sábado, 29 de julho de 2017

Promoção - Pergunta 2

De acordo com este blog, complete a frase:

"Se você pensa que cachaça é água _________________."

Lembrando que todas as perguntas podem ser respondidas até dezembro.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

P R O M O Ç Ã O

Bom, gente, quem acompanha o blog sabe que, às vezes, eu faço promoção de aniversário.
Esse ano irei fazer e vai começar JÁ.
De tempo em tempo vou colocar uma pergunta, até dezembro, quando é o aniversário do blog de verdade.
Não vou falar ainda qual é o prêmio, deixem de ser interesseiros. Mas vai ser beeeeem legal, então, por favor, PARTICIPEM!

Pergunta 1:

Qual é seu post preferido de todos os tempos do Salão do Fogo? 

Quem não tem panela escreve coisas no escuro

Fo Ratemer era um cara bem legal, mas pensa numa malandragem!
Para ele, se se podia conseguir algo ilegalmente, mas com facilidade, pra que perder tempo fazendo o mais difícil?
Por este motivo, Fo, geralmente, não ficava muito tempo no mesmo lugar, afinal quando não se paga por nada, não se devolve nada e não cumpre nenhuma promessa, as pessoas tendem a desgostar de você.
Fo era muito simpático e todos adoravam conhecer alguém tão gente boa assim. Mas todos, sem exceção, quando o viam pela segunda vez, o saudavam gritando:

- F O  R A T E M E R!

Claro que ele dava no pé e já era dia de mudança de novo.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Qual a cor do pensamento?

Estou eu na minha cama, em um quarto limpo e arrumado, mas impessoal.
E ela ainda está aqui.
Já me acostumei com a sua presença, está aqui há anos. Disse que eu precisava segui-la e eu disse "vamos ver". Ela não respondeu, mas foi ficando e esperando.
Às vezes diz: "você vai ter que vir um dia".

segunda-feira, 6 de março de 2017

Quem pediu uma nova série no blog?

Ninguém.
Ninguém pediu, mas vou fazer mesmo assim.
Espero que vocês estejam preparados porque a nova série vem aí.
Ah, e esse ano tem promoção de aniversário, então fiquem atentos! :)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Tolkien or nothing - two guesses at once...

Adivinha sobre o que é esse post?
"Vixi, quando a Mirane fala isso ou é sobre nada ou é sobre o Tolkien."
HÁ, acertou. É sobre o Tolkienzinho.
Estou relendo O Senhor dos Anéis, óbvio, e resolvi compartilhar alguns comentários meus sobre o capítulo "O conselho de Elrond". Na verdade esse post deveria ser sobre os 12 primeiros capítulos, mas meu livro com todas as marcações (mais de 200) desapareceu misteriosamente (ainda não me recuperei). Então, hoje, falaremos somente sobre o capítulo 14, ou, como gosto de chamar, festival de burns da Terra-média.

 "- Fui o arauto de Gil-galad, e marchei com sua tropa. Estive na Batalha de Dargorlad diante do Portão Negro de Mordor, onde vencemos: pois à lança de Gil-galad, e à espada de Elendil, Aiglos e Narsil, ninguém podia resistir. Eu vi o último combate nas encostas de Orodruin, onde Gil-galad morreu, e Elendil caiu, e Narsil se quebrou sob seu corpo. Mas Sauron foi vencido, e Isildur cortou o Anel de sua mão com o fragmento do punho da espada do pai, e pegou-o para si." p. 257

Prestem atenção no que destaquei: "Mas Sauron foi vencido, E Isildur cortou o Anel de sua mão" (original: "but Sauron himself was overthrown, AND Isildur cut the Ring from his hand").
"Mas Mirane por que você tá colocando o 'E' e o 'AND' em destaque?"
Bem, porque foi exatamente isso que me chamou a atenção dessa vez, nessa parte. Talvez fortemente influenciada pela versão cinematográfica (ou talvez alguma outra coisa que esqueci, quem sabe, faz tempo que não leio as outras coisas do Tolkienzinho), eu sempre achei que o Sauron foi destruído PORQUE o Isildur corta o Anel da mão dele e não que o Isildur conseguiu cortar o Anel porque o Sauron já tava bem fraco de apanhar do Gil-galad e do Elendil. Claro que posso estar enganada aqui, mas se você lê aquele pedaço ali, é o que se entende, certo? Que o Isildur cortou o Anel quando o Sauron já estava destruído - ou perto disso. A frase não é "Mas Sauron foi vencido QUANDO/PORQUE Isildur cortou o Anel", mas sim "Mas Sauron foi vencido E Isildur cortou o Anel".
Continuando...

"- Nesta hora maligna, eu vim numa missão, atravessando muitas milhas perigosas, até Elrond: cento e dez dias viajei completamente sozinho. Mas não procuro aliados para a guerra. O poder de Elrond está em sua sabedoria, não nas armas, como se diz." p. 260

QUEM DIZ?
Seja lá quem for é uma anta! Querido, o Elrond te passa o coro sem as duas mãos e com os olhos fechados. Você ouviu alguma coisa do que ele disse? Porque até onde lembro, uns 10 minutos antes de você falar essa merda, ele tava falando de quando ELE LUTOU CONTRA O MELKOR NA PRIMEIRA ERA E CONTRA O SAURON NA SEGUNDA. Mas, claro, ele só serve pra dar conselho...
Bem, na verdade eu acabei de perceber que se eu for comentar tudo que marquei aqui isso vai ter o número de páginas do livro, então vamos resumir um pouco.

Bilbo lindo dando uma das várias tiradas em Boromir quando ele começa a olhar feio para o Aragorn como se ele não fosse ninguém:

"[verso que Bilbo fez para Aragorn, sim, aquele famoso 'Nem tudo que é ouro fulgura...']
- Talvez não muito bom, mas perfeito para o momento - se é que você precisa de algo além da palavra de Elrond. Se ela vale uma viagem de cento e dez dias, é melhor escutá-la com mais atenção." p. 262

Se a gente tivesse na escola agora seria aquela hora do "NOOOOOOOOOOOOOOOOOSSA".

"- Se Gondor, Boromir, tem sido uma torre robusta, nós tivemos outra função. Existem muitas coisas más que nossas [no original your - suas]  muralhas fortes e espadas brilhantes não aguentam. Você sabe pouco sobre as terras além de suas fronteiras. Paz e liberdade, você diz? O Norte mal saberia o que são essas coisas se não fosse por nós. O medo destruiria a todos. Mas quando os seres escuros vêm das colinas desabitadas, ou se esgueiram por florestas sem sol, fogem de nós. Que estradas qualquer um ousaria pisar, que segurança haveria nos lugares pacíficos, ou nas casas dos homens simples à noite, se os dúnedain estivessem dormindo, ou tivessem todos ido para o túmulo?
Mesmo assim, recebemos menos agradecimentos que vocês. Os viajantes nos desprezam, e os homens do campo nos dão nomes pejorativos. Sou 'Passolargo' para um homem gordo que vive num lugar a apenas um dia de marcha de inimigos que congelariam seu coração, ou deixariam sua pequena cidade em ruínas, se não fosse guardado continuamente. Mesmo assim, não aceitaríamos outro tipo de vida. Se as pessoas estão livres do medo e da preocupação, é porque são simples, e devemos mantê-las assim em segredo. Essa tem sido a tarefa de meu povo, enquanto os anos vão se alongando e o capim vai crescendo." p. 262-263

NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOSSA

"- Essa notícia sobre Saruman é muito triste [...] Mas quedas e traições desse tipo, infelizmente, já ocorreram antes." p. 280

Esse é o Elrond falando. Repito: ESSE É O ELROND FALANDO. Choro agora ou pra sempre? :'(

Olha, tinha muito mais, mas: 
1. está tarde e preciso tentar dormir;
2. a tradução não ajuda e, gente, vamos combinar, que pontuação horrorosa nessa tradução.
Quem sabe tem mais logo. :)

Até.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Oh no

Adivinha quem tá de volta?
Sim, euzinha.
Desculpem abandonar as coisas por aqui, mas a vida não tá fácil.
Passei só para dar um oi e dizer que muito provavelmente voltarei a escrever logo.
Até!

domingo, 25 de setembro de 2016

Minha página no Patreon

Boa noite, pessoal, preciso da sua ajuda! Vai ser um post longo, mas peço que vocês tenham um pouquinho de paciência e leiam até o fim. Não, não vou reclamar de nada ou xingar ninguém.
A maioria de vocês me conhece então não preciso explicar muita coisa, mas para quem não sabe eu sou um desses casos de fracasso da vida, que escolhe o que ama e não o que "dá dinheiro".
"Mas Mirane todo mundo que eu conheço que fez Letras tem emprego"
Sim, mas como eu queria ser um fracasso total eu me especializei em literatura e, pra me ferrar ainda mais, literatura DE FANTASIA. Com mestrado e doutorado. Não existe concurso na minha área no Brasil. E ainda me meti a querer ser escritora. É literalmente pedir pra passar fome.
"Ah, mas pelo menos você fez o que ama e tá feliz"
Não, não to porque eu tenho um milhão de doenças mentais que me impedem de ser feliz. Minha vida é uma bosta completa mesmo.
Enfim, meu ponto aqui é: eu sou aquele caso clássico de "artista pobre". Não que eu seja lá grande coisa como artista, mas ainda assim...
Claro, estou tentando prestar concursos e tal, mas são todos fora da minha área e minhas chances são sempre 80% menos que das outras pessoas. Até passei em um, mas não vou ser chamada. Então estou nessa vida de tentar de tudo, não conseguir nada e só tomar no cu. Não é legal.
"Ah, mas você tentou emprego de outras coisas?"
Queridos, eu tentei de tudo, ninguém quer contratar doutor, mesmo que você insista que não tem problema receber salário menor.
Então, depois de quase dois anos nessa vida miserável eu resolvi fazer uma página no Patreon.
O que é o Patreon? É uma página onde artistas colocam sua arte e pessoas que se interessam podem "assinar" a sua página para ter acesso ao conteúdo que você disponibiliza. 
Como funciona?
Bem, se você estiver interessado em minha "arte" ou mesmo quiser só ajudar você assina essa minha página. O mínimo é 1 dólar por mês e aí, dependendo do quanto você paga, você tem acesso a mais conteúdo. Então, por exemplo, quem assina a de 1 dólar por mês tem acesso a meus escritos descompromissados, comentários sobre assuntos diversos. Quem assina a de 5 dólares por mês tem acesso a isso e mais alguns contos e poemas. Se você assina a de 10 dólares é tudo isso e mais artigos e trabalhos sobre literatura, cinema, um pouquinho de história, entre outros assuntos. Com a de 25 dólares ou mais por mês você tem acesso a todo o conteúdo, inclusive acompanhar em primeira mão os romances que eu estou escrevendo no momento e se por acaso algum deles for publicado um dia, seu nome vai estar lá nos agradecimentos do livro.
"Mas Mirane a gente não quis ler suas coisas nem de graça por que você acha que vamos querer pagar pra isso?"
Verdade. Não sei porque vocês fariam isso, mas tenho que tentar, né? 
O site é todo em inglês, então se por acaso você estiver interessado mas precisa de ajuda, fala comigo que eu ajudo. Quanto aos meus textos publicados lá, se alguém de vocês se interessar e não souber inglês, eu postarei em português, não se preocupem.
"Mas Mirane, é em dólar, não tenho dólar"
Os pagamentos lá são feitos via PayPal ou cartão de crédito (imagino que tenha que ser internacional, mas não tenho certeza) e a conversão é feita automaticamente.
Então é isso. Se vocês estiverem interessados em ajudar e ler algumas abobrinhas em retorno, eu serei eternamente grata. 
Por favor, mesmo que você não possa assinar a página, compartilhe esse post, assim mais pessoas ficarão sabendo.
Muito obrigada pela atenção, segue abaixo o link para a página:

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Feliz aniversário, Jaini

Feliz aniversário, Jaini.
Não tenho mais celular e como você não tem nenhuma rede social e todos os seus e-mails não funcionam mais, esse foi o único jeito que encontrei de te desejar feliz aniversário.
Não tenho nem ideia se você vai ler isso, mas é tudo que posso fazer.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Este é um exemplo de boizar


Guia do (meu) gato

Então, queria fazer esse post há um tempo, mas a vida, ela não fácil.
Não, não vou dar dicas de como cuidar dos bichanos, eu ainda to aprendendo. É mais uma coisa de nomes. Eu não sei vocês, mas a minha gata tem mil nomes, adjetivos e verbos ligados a ela. Esse é um guia de como você pode se dirigir a ela nas redes sociais quando eu posto uma foto (claro, porque ninguém vem na minha casa). Então vamos lá:

Nomes e adjetivos:

Meredith
Mer
Meredita
Benedita
Little Grey
Greyzinha
Monstra
Monstrenga
Princesa
Bebê
Boi
Boizão
Poço de manha
Horrorosa
Lindeza
Fofura
Bolinha
Biscatão
Anaconda
Terrívia
Serelepa
Gatosa
Priguicinha (é, com 'i' mesmo)
Jacareia

Verbos:

Anacondando
Monstrando
Boizando

Acho que tem mais, mas não to lembrando agora. Conforme for vou atualizando aqui.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Mas o que foi que eu fiz de errado?

Ah, esse post vai ser tenso de escrever, mas eu vou. Porque eu to tão cansada de tudo que eu to pouco ligando.
As pessoas deveriam ler esse post por vários motivos, não por mim, não mais e, vamos combinar, se fosse por mim, quem ia ligar? Mas pelos outros mesmo, pessoas que ainda podem aparecer na sua vida, sabe? E, honestamente eu nem sei se isso vai fazer algum sentido pra alguém, mas eu vou escrever mesmo assim. Talvez, ou provavelmente, me arrependerei horrores, mas quem liga?
Em primeiro lugar, o que eu fiz de errado?
Não estou aqui me fazendo de vítima, estou realmente perguntando e queria saber porque eu não consigo entender. Eu sei que a última coisa que o mundo é, é justo, mas, mano, sério?
Você cresce com os discursos de "se você trabalhar duro você consegue", "você planta o que você colhe", "corra atrás dos seus sonhos, trabalhe por eles e tudo vai dar certo". Sério? Então o que eu fiz de errado? Porque até onde eu lembro, alguém pode me corrigir aqui se eu estiver enganada, eu trabalho desde os meus 14 anos. Dos 14 aos 20 (quando entrei pra uma faculdade em que eu estudava das 8 da manhã às 6 da tarde) eu trabalhei e durante esses anos fiquei apenas alguns meses desempregada. Durante 4 anos eu trabalhei e estudei. No começo era meio período de trabalho e meio período de escola, mas depois, no colegial, eu saía de casa às 6 da manhã, trabalhava até às 5:30 da tarde e depois ia pra escola até às 11 da noite, chegava em casa todo dia à meia-noite, mais ou menos, pra acordar 5:30 no dia seguinte de novo. Não to contando isso pra vocês ficarem com dózinha de mim ou falarem "um monte de gente fez/faz isso ou pior, grande coisa". Eu sei, não to falando que eu sou especial, só to mostrando que eu não fiquei de cu pra cima.
Depois fiquei três anos sem estudar, só trabalhando e então entrei pra faculdade. Pública. Não tinha como arrumar um emprego enquanto eu tava na faculdade já que, como falei, meus horários eram entre 8 da manhã e 6 da tarde, alguns anos com aula à noite também. Eu dei algumas aulas particulares e fazia algumas correções pra ganhar um dinheirinho, mas era só o que dava pra fazer na época. "Ah, mas por que você não foi estudar à noite pra trabalhar?" Porque o curso de Letras no noturno era um curso completamente diferente, amigo, eu passei no vestibular para o diurno, não podia simplesmente ir pra noite e eu não tinha o mínimo interesse em italiano ou francês, que era só o que tinha quando eu entrei.
Eu tinha moradia e ganhava bolsa da faculdade pra me sustentar depois do primeiro ano, então, não, eu não vivia às custas dos meus tios. Eles ajudavam, lógico, mas eu tinha meus caraminguás de aulas e correções mais a bolsa e a ajuda de amigos e namorado. E assim foi a graduação.
Depois veio o mestrado. Também com bolsa. E sabe por quê? Porque eu era foda. Pode me chamar de metida, se quiser. Eu sei que eu sou um lixo de pessoa e um fracasso, mas eu era foda. A bolsa do mestrado e do doutorado não tinha nada a ver com a minha situação econômica, como na graduação. Eles não me deram bolsa porque eu era pobe. Eles me deram bolsa porque eu era foda. 
Com as bolsas CAPES na pós-graduação você não podia trabalhar, na verdade era proibido, e se te pegassem você perdia a bolsa e ainda tinha que devolver o que recebeu. Claro que algumas pessoas faziam, mas eu não era uma delas porque eu mal conseguia fazer o que eu precisava e não tava interessada em dever vários mil reais que eu não tinha.
E assim foi. Eu trabalhei, eu entrei na faculdade, eu fiz o melhor curso de letras do Brasil (na época), eu fiz mestrado e doutorado, tudo isso enquanto tentava dar conta de uma depressão filha da puta, além de ansiedade e transtornos de personalidade. Vocês podem achar que eu to tentando me fazer de vítima aqui, talvez sim. Mas você não tem ideia de como é difícil fazer um mestrado e um doutorado a menos que você tenha feito. Estando sã já é dificílimo. Lidando com doenças mentais é praticamente impossível. Eu sei que minha palavra não vale nada pra ninguém, então perguntem por aí. Quando eu falava para minhas psicólogas e psiquiatras elas não acreditavam. Uma delas chegou a dizer "mas isso é impossível!". E eu fiz.
Agora isso não é trabalhar duro? Por favor, me respondam. Isso não é ir atrás dos seu sonhos e trabalhar por eles? Se sua resposta pra minha pergunta é "não", então por favor me explique o que é "trabalhar duro" porque eu não tenho nem ideia. Mas se sua resposta é "sim", então me diz o que eu fiz de errado? Porque eu terminei meu doutorado o ano passado e estou desempregada desde então. Sem querer ser dramática, mas já sendo, literalmente à beira da miséria.
"Ah, mas você tá tentando arrumar emprego?"
Não, só mandei uns 200 currículos, só isso.
"Presta concurso"
Querida, eu não tenho a mínima chance em concursos porque 1. Não existe concurso pra área Literatura de Fantasia. 2. Literatura Inglesa seria uma alternativa, mas eu não posso prestar porque não fiz inglês na graduação e não importa que eu saiba inglês melhor que muitos professores eu ainda não posso prestar o concurso. 3. Eu poderia tentar Teoria da Literatura mas eu não conseguiria porque no mestrado e no doutorado você foca em uma coisa bem específica e, no meu caso, essa coisa foi literatura de fantasia. Isso não cai em concurso. E, claro, eu tenho um conhecimento geral de teoria, mas eu não tenho a mínima chance de concorrer com pessoas que estão estudando exatamente aquilo há anos. Claro, eu sou foda, e poderia, sim, tentar e, talvez, até conseguir um dia, mas aí eu jamais passaria na fase de currículo e sabe por quê? Porque a fase de currículo num concurso público considera seus últimos 5 anos de produção e sabe o que eu produzi nos últimos 5 anos? Absolutamente nada. Eu tava tentando me manter viva, literalmente, e tentando escrever a tese. Isso era mais do que eu podia fazer e por isso consumiu tudo de mim e mais um pouco. Eu me inscrevia para congressos, era aceita, mas eu não conseguia ir, Porque eu morria de medo de sair de casa, eu não conseguia ficar no meio de pessoas sem ter uma crise de pânico e eu não conseguia falar em público.
"Ah, mas pra fazer outras coisas você conseguia sair"
Não. Eu não sei se vocês sabem, mas em 2014 eu consegui comprar ingresso pra um jogo da Copa. Não qualquer um, um jogo do Uruguai, uma das minhas seleções preferidas. Eu consegui ingresso, eu comprei a passagem de avião e o hostel. Mas eu não fui. Porque eu não conseguia sair de casa. Durante um mês eu tive crises de ansiedade todo santo dia pensando nessa viagem. E eu queria tanto ir, tanto!Você tem ideia da minha dor por não ter ido? Era um jogo de Copa do Mundo! Eu nuca mais vou ter uma oportunidade dessa provavelmente. Mas eu não fui. Eu perdi praticamente todo o dinheiro de passagem, hostel, ingresso porque eu não conseguia sair de casa. Esse também foi um dos motivos pelo qual eu não trabalhei na Copa do Mundo.
Eu não tinha a menor condição de fazer nada então eu não fiz. Agora se eu presto um concurso eu nem vou ser considerada na fase de currículos porque eu não tenho nada.
Eu poderia colocar aqui milhões de "ah, mas e se você fizesse isso ou isso ou tentasse isso?", mas acredite, eu já tentei. Eu tenho currículos até em outros países. E não pense que eu sou fresca não, tentei emprego em todo canto, shopping, mercado, fast food, não to me achando a rainha da cocada preta querendo só emprego de doutora. Não. No momento to tentando só ter dinheiro pra sobreviver e ainda assim, nada. Na verdade, na verdade mesmo, eu nem tenho condição de trabalhar. Eu não tenho a mínima condição de sair de casa, mas eu to tentando mesmo assim, afinal vocês tudo acham que depressão não é nada mesmo, né? Eu to só rezando que eu consiga esconder minhas doenças tempo suficiente pra conseguir um emprego e depois literalmente me sacrificar pra mante-lo. Porque você pode apostar que eu ia dar o meu melhor mesmo estando morrendo. 
"Ah vá, mas não é tão difícil assim"
Hahahahahahahahaha, querida, QUANDO eu consigo dormir você tem ideia do sacrifício que é pra eu levantar da cama? Não, não é preguiça. É praticamente impossível. Os dias que eu consigo levantar da cama, escovar o dente e tomar banho já são uma vitória pra mim. Ontem por exemplo não foi um desses dias.
Agora me diz, o que eu fiz de errado? Eu não trabalhei o suficiente? Não estudei o suficiente? Sou vagabunda?
Aí vem o segundo discurso que eu mais ouço: "você planta o que você colhe".
Sério? Sério mesmo? Então me ajuda aqui a entender o que foi que eu fiz.
O que uma criança de 4 anos fez de tão errado nos seus quatro anos de vida para ser tratada do jeito que eu fui pela minha "família"? Me conta o que eu tava colhendo quando eu era chutada de casa em casa, depois que minha vó morreu, sem ninguém querendo ficar comigo e ter que ouvir que eu era "ruim igual minha mãe" e ia ser pior que ela quando crescesse? O que eu poderia ter feito nesses meus 4 anos de vida que justificasse tias minhas me comparando a cachorros ao dizer que minha mãe me deu embora igual a um cachorrinho e depois outra dizer "na verdade acho que ela gosta mais de cachorros do que de você" e cair na risada? Sim, eu lembro. Eu lembro de tudo. Essas cenas e muitas outras piores ficam rodando na minha mente o tempo todo. Algumas tias dizendo pra tia que me adotou "você tá levando uma cobra pra dentro de casa, você vai ver só, ela vai ser uma biscate drogada igual a mãe e encher sua casa de crianças se você não se livrar dela logo" (ah, a ironia da vida... mas nem vou comentar essa parte), mas sim, eu lembro disso tudo. Eu era uma criança de 4 anos. Quem faz isso? Quem fala isso pra uma criança de 4 anos? Talvez vocês tenham se esquecido, claro. Não fez diferença nenhuma na vida de vocês. Certeza que se vocês lerem isso vão me chamar de mentirosa, como sempre (ah é, verdade, lembra quando eu fui diagnosticada com depressão e minha tia foi contar pra vocês e vocês disseram pra ela não se preocupar porque eu tava fingindo pra chamar atenção? Que era só frescura, que minha mãe também fazia isso? Pois é, eu lembro disso também). Mas vocês sabem o que fizeram. E Deus viu. Então me chamem de mentirosa o tanto que quiserem, eu não dou a mínima.
Claro, depois eu cresci e todo mundo me achava respondona, metida e outras coisas mais. Claro que eu era. Eu cresci com um senso de injustiça tão grande dentro de mim que eu não conseguia ficar quieta. Eu eu sempre agi como metida porque por dentro eu me achava um lixo, vocês me ensinaram a me achar assim. Eu achava que eu era a pior pessoa do mundo, a mais feia, a mais chata, literalmente um lixo. Mas eu não ia deixar você verem isso. Então eu era metida. E vocês me odiavam ainda mais por isso. Como assim essa criatura que nem a mãe quis ainda é inteligente e se acha o máximo? Ai ai... eu nunca me achei o máximo. Vocês podem me odiar, mas ninguém me odeia mais do que eu. Parabéns! Vocês conseguiram. Eu não sou igual a minha mãe, eu nunca usei nenhuma droga na vida (não, nem maconha, nada, nadinha, nunca), eu não fiquei grávida nenhuma vez, eu tenho um doutorado. Mas vocês destruíram minha vida completamente então parabéns! Eu nunca fui feliz (exceto alguns momentos de futebol e leitura), eu nunca tive paz na vida e eu nunca acreditei que eu merecia nenhuma dessas coisas, eu passei a maior parte da minha vida tentando me matar porque quando você diz pra uma criança que ela não é nada, ela acredita. Eu acreditei, eu cresci acreditando e por mais que eu tenha tentado provar que vocês estavam erradas, vocês não estavam. Então parabéns!
Mas nada disso ainda responde minha pegunta. O que eu estava colhendo? Os espíritas podem dizer que eu estava colhendo o que eu plantei em outras vidas e essa é a única resposta aceitável pra mim. Mas se você não é espírita, o que eu tava colhendo quando minha vida foi transformada num inferno quando eu tinha apenas 4 anos de idade?
Mesmo agora, com 31, o que eu fiz de tão maldoso na minha vida pra estar aqui agora sozinha, desempregada e sem nenhuma esperança na vida?
Eu nunca matei ninguém, eu menti algumas vezes, sim, mas quem nunca? Eu não judio de animais, eu tento ajudar todo mundo que precisa de mim, eu rezo todo santo dia. Na verdade eu converso com Deus desde quando eu tinha quatro anos. Vocês abem, né, quando todo mundo ao seu redor te odeia e basicamente preferia te ver morta do que ali na casa deles você não tem muita opção e Deus sempre foi o meu melhor amigo. Então, pelo amor do meu melhor amigo, me diz o que foi que eu fiz de tão errado pra merecer essa vida?
Lendo coisas aleatórias por aí eu sempre vejo pessoas aconselhando gente depressiva e suicida como eu a procurar um amigo quando nessas situações extremas. Hoje, eu dou risada. Porque eu não tenho absolutamente ninguém aqui. Vocês sabem que eu já reclamei muito (principalmente aqui nesse blog) sobre ninguém se importar, eu não ter amigos, etc. Eu realmente se sentia assim, ainda me sinto às vezes. Vocês tem que entender que uma das minhas doenças me faz acreditar nisso de verdade, me faz acreditar que todo mundo me odeia e que ninguém se importa comigo e algumas vezes eu sou até injusta com algumas pessoas. E isso tudo é uma bagunça porque quando você tem essa doença mas ao mesmo tempo tem realmente um monte de pessoas que não se importam e te odeiam fica difícil de separar. Mas não é esse o caso aqui. Eu tenho um punhado de amigos, se eles se importam mesmo não tenho certeza, mas eles tão sempre por aí, com os problemas deles também. Mas eu não tenho ninguém aqui. Todos os meus amigos foram embora de Rio Preto. Então quando eu to querendo me matar, o que acontece todo dia ultimamente, eu não tenho ninguém pra ligar e falar "ei, será que você poderia vir passar umas duas horas comigo?" Não tenho. Absolutamente ninguém. Ninguém pra ir no cinema, ou ir tomar uma cerveja. Também não tenho dinheiro pra isso, mas entende o que to querendo dizer? O que eu tenho que fazer pra continuar viva e, meu Deus, eu não tenho nem ideia do motivo de eu estar tentando, na verdade, mas eu to. O que eu faço é enfiar a cara no youtube e assistir momentos felizes de futebol. Ou ficar implicando com a ESPN. Ou ler um Tolkienzinho. Mas às vezes nem isso ajuda. E eu não tenho ninguém.
"Ah, mas e o Fer?"
O Fer tá aqui, mas o Fer não tem tanto tempo assim pra perder comigo. Não vou ficar aqui falando da vida do Fer, mas ele tá ocupado. Claro que ele ajuda, quando ele pode, mas ele não pode sempre. Ele tá se matando pra gente ter, ao menos, como pagar as contas da casa. Então eu não posso ficar jogando tudo em cima dele, eu já jogo demais, acreditem.
Claro que minha tia e minhas irmãs querem que eu volte pra casa pra elas cuidarem de mim, mas elas não entendem que isso é impossível. Eu tento explicar, mas eu sei que na cabeça delas eu to arrumando desculpa e elas realmente acham que isso não é motivo, mas eu sei como é e eu sei que não daria certo.
Se eu voltar pra casa da minha tia eu vou querer ajudar, limpar casa, fazer almoço, especialmente quando ela não tá bem. Mas eu não vou conseguir fazer, mesmo querendo. E ela não vai entender isso. Ela via tentar, eu sei, mas ela vai acabar achando que é preguiça. Mesma coisa quando eu dormir por 30 horas, como ontem. E como eu vou ficar sem as únicas coisas que me mantém viva? Futebol e o Fer. Não tem como. Sem contar a internet que é o único meio de contato que eu tenho com os amigos citados acima. Porque uma pessoa sem doenças mentais não entendem por mais que elas tentem, por mais que elas queiram entender. E a gente ia acabar brigando feio, como acontecia antes e isso ia ser terrível pra todo mundo.
Então eu to aqui, perdida, sozinha, sem dinheiro, sem nenhuma perspectiva ou esperança, rezando pro Liverpool ser campeão amanhã e pra eu não desmoronar de vez se ele não for. E aí ainda por cima os idiotas me arrumam um golpe no Brasil que é pra eu perder a esperança em tudo mesmo.
"Ah, mas não é golpe, tá na constituição"
Mano, vai tomar no cu. O que tá na constituição é que você tira um presidente que cometeu um crime, a Dilma não fez isso. Você tirou uma presidente ficha limpa pra colocar um criminoso lá, você é um idiota.
Então, gente, é isso, eu realmente preciso de uma resposta, eu realmente preciso saber o que eu fiz de tão errado. 
Claro, as pessoas que me odeiam ou que acham que eu sempre me achei o máximo devem estar amando que eu to tomando no cu. Mas, filha, eu tomei no cu a vida inteira, eu só cansei de fingir que eu não sou um fracasso total. E eu tentei tanto fingir que eu não era nada, mas não se pode fugir da realidade, né? Então, riam o quanto quiser, pisem no cachorro morto, eu não ligo mais.
Eu não sei se foi eu ou minha doença que escreveu esse post, mas no final, nós somos a mesma coisa é tudo verdade.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

domingo, 8 de novembro de 2015

Como se eu ainda estivesse lendo no pé de mixirica

Ah, eu venho ensaiando esse post há tanto tempo. Mas honestamente eu não sei exatamente o que eu quero dizer.
Bem, uma coisa que eu quero dizer é bem óbvia: as expectativas da sociedade ferra a gente pra caralho.
Vamos por partes:
Lanço a pergunta: eu sou um fracasso ou não?
Bem, do meu ponto de vista, sim. Pode acreditar, não importa o quanto você me odeia, eu me odeio mais. Eu me acho um fracasso. Mas alguns acontecimentos recentes me fizeram pensar um pouco. O que exatamente define a pessoa como um fracasso? E a resposta vem na lata: as expectativas da sociedade.
Mas como, Mirane?
Bem, eu sou uma mulher de 31 anos de idade. E aí? Aí que a sociedade espera que, para eu ser considerada alguém que não falhou na vida, eu devo ter um marido, filhos, uma casa, um carro e idealmente algum animal de estimação. No mínimo. Ou, ter um super emprego que me mantenha super ocupada não sendo possível ter marido e filhos, mas ainda tendo uma casa e um carro. No mínimo. Ou tudo isso ao mesmo tempo. É claro que eu sou um fracasso, eu não tenho nada disso. Absolutamente nada disso. E eu posso ver a decepção da minha família. Eles me veem como um fracasso, assim como eu. E então eu parei pra pensar nisso e me perguntei: meu Deus, o que eu tenho? Eu não tenho nada, eu não fiz nada, eu sou uma inútil, um desperdício de espaço e uma vagabunda.
Então Deus me olhou bem e disse: nenhuma criação minha é inútil ou um desperdício de espaço. Pensa na sua vida de novo, não do ponto de vista da sociedade, mas do seu, e me diz o que você acha.
Então eu pensei.
Não vou me fazer de coitada aqui, mas quero deixar clara minha linha de raciocínio, então vou falar tudo.
Eu fui abandonada pelos meus pais e a maior parte da minha família. Eu tenho algumas doenças que, embora pra muita gente sejam só frescura, me destroem completamente todo santo dia.O fato de eu ter sobrevivido até os 31 anos já é uma vitória. O fato de eu acordar quase todos os dias já é uma vitória. Mesmo que a maior parte das pessoas lendo isso aqui não entendam como essas coisinhas tão fáceis pra elas podem ser vitórias, eu sei. E são.
E Deus me fez ver isso naquele dia.
Quando eu era criança eu tinha tantos sonhos. Eu vivia sonhando. E eu cresci sonhando. Um sonho mais louco que outro e muitos deles considerados impossíveis. E quer saber? Eu realizei TODOS os meus sonhos.
E Deus me fez perceber isso naquele dia.
Eu estudei o que eu queria na melhor universidade do país naquela área. Eu fiz mestrado e doutorado na área que eu queria. Eu estudei Tolkien. Eu fiz pessoas levarem a literatura de fantasia a sério. Eu escrevi centenas de histórias e publiquei um livro. Eu visitei as duas cidades que eu mais amo no mundo. Eu vi o Corinthians jogar no estádio. Eu vi o Liverpool jogar no estádio. Eu assisti jogos da Champions League e Europa League no estádio. Eu fui em alguns dos estádios mais lindos do mundo. Eu vi os maiores times e seleções jogarem no estádio. Eu vi o Brasil humilhar a Espanha no Maracanã. Eu pisei no gramado do Maracanã (mais do que alguns jogadores profissionais podem dizer). Eu deitei no gramado do Maracanã. Eu chutei uma bola no gramado do Maracanã. Eu vi a maior parte dos melhores jogadores da minha época jogarem no estádio. Eu tenho autógrafos dos meus maiores ídolos. Eu morei na Europa. Eu tenho minhas edições dos sonhos dos meus livros preferidos. Eu tenho mais de 100 livros do Tolkien e quase todos os livros que eu sempre quis. Eu tenho várias camisas dos times que eu torço e dos que eu simpatizo também. Eu tenho amigos ao redor do mundo. Eu tenho um namorado lindo que ama Tolkien, história e futebol e odeia o United comigo (menos contra o Crystal Palace). Eu tenho o melhor amigo que existe no mundo e que me ama mesmo eu sendo a pior pessoa que existe no universo. E eu tenho amigos que me suportam. Eu vi meu time ser campeão brasileiro SEIS vezes. E ganhar a Libertadores e o mundial. E a Champions League. Fora outros títulos. Eu vi minha seleção ser campeã do mundo duas vezes. Tá certo, eu vi minha seleção perder de 7x1 também, mas eu tava viva dia 25 de julho de 2004. :) Eu pintei meu cabelo de todas as minhas cores preferidas e fiz as tatuagens que eu queria. E muito, muito mais!
Meu ponto é: eu tive uma vida horrível na maior parte do tempo, mesmo quando não parecia. E eu nunca tive dinheiro de verdade. Ainda assim eu fiz TUDO que eu sempre sonhei. Eu realizei TODOS os meus sonhos. Tá certo, eu não tenho carro, ou casa, ou marido, ou filhos, ou emprego, ou dinheiro, nesse momento. Mas eu vivi a minha vida! Mesmo tendo uma doença que literalmente torna ser feliz impossível eu fui inacreditavelmente feliz por alguns momentos. Porque eu mandei as expectativas da sociedade pra puta que pariu e fiz o que eu quis! E não me arrependo de absolutamente nada.
E quer saber? Eu ainda posso ter um marido e carro e casa e emprego. Até mesmo filhos se eu quiser. Mas só se eu quiser. Não porque as pessoas esperam que eu tenha.
E pensando tudo isso me dá uma raiva de eu ser doente porque eu deveria ser feliz. Eu fiz tudo o que eu queria. Eu vivi a minha vida até aqui e ainda assim eu me sinto um lixo e eu esqueço todas essas coisas boas. As coisas ruins não. Essas ficam bem frescas na memória todo o tempo.
Então vocês podem achar que eu sou um fracasso o tanto que vocês quiserem. Eu vou continuar achando isso também provavelmente. Mas a verdade é que eu não sou. As pessoas são diferentes e sonham coisas diferentes. Meus sonhos, eu realizei todos os que tive até aqui. E isso não é fracassar. Mesmo que eu não tenha um centavo no presente momento ou a perspectiva de ter algum dinheiro num futuro próximo. Ainda assim. 
Até hoje eu lembro o meu maior medo quando eu era criança: crescer, ser adulta. Eu tinha um pavor absurdo de crescer porque eu pensava que então eu não poderia ser o que eu gostava e o que eu queria. Eu achava que eu não poderia mais sonhar com personagens fictícios, inventar histórias, assistir filmes e chorar, dormir com  Blaublau, ser idiota e besta, me preocupar com as pequenas coisas, ler e morrer por causa de futebol. Honestamente essa é a única coisa de que me orgulho hoje. Eu nunca cresci. Eu nunca virei adulta. Eu fiz e faço o que eu tenho que fazer, mas eu continuo exatamente quem eu era quando eu tinha 4 anos. Graças a Deus!

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

HEY HEY HEY IT'S FOOTBALL HISTORY TIME!

Oi, gente.
Sinto muito que tenha passado tanto tempo sem escrever. Mas to aqui e dessa vez é para um assunto sério.
Sabe o Mundial de 2000? É, aquele que o Corinthians ganhou e que todo mundo vive enchendo o saco. Então, resolvi fazer esse post lindo para as antas de plantão que adoram zuar o meu time, mas não tem nenhum argumento decente. Vamos lá, crianças!
Sim, o Mundial de 2000 foi diferente, não tradicional. Foi a primeira tentativa da FIFA de fazer um torneio mundial entre clubes. O plano era começar em 2000 e seguir, mas o torneio de 2001 foi transferido para 2003 e depois cancelado por problemas de patrocínio e, então, só voltou a acontecer naquele formato em 2005.
Todo mundo adora dizer que o título do Corinthians não vale porque a gente foi convidado e não tinha ganhado a Libertadores e Mundial sem Libertadores não existe. WRONG! Intercontinental sem Libertadores não existe, mas um clube pode muito bem ser campeão do Mundial de Clubes da FIFA sem ganhar o título de seu continente porque uma das vagas do torneio é para o campeão nacional do país sede do torneio. Isso mesmo, crianças! Nós não estávamos lá "convidados". Nós éramos o campeão nacional. Não foi nenhum favor ou convite. Se você quer reclamar de alguém que não deveria estar lá, reclama do Vasco, que não era porra nenhuma. Na verdade eu acho super engraçado ver os palmeirenses encher o saco do Corinthians quando na verdade o Vasco roubou a vaga deles. Sim, amigos. A CBF, aparentemente, queria um time do Rio no torneio (sabe Deus o motivo) e então eles pediram ao Palmeiras para doar a vaga deles ao Vasco com a promessa de eles participarem do próximo Mundial, em 2001. Mas o Mundial de 2001 foi transferido e depois cancelado. E o Palmeiras processou a FIFA, mas retirou o processo quando a FIFA deu US$ 750 mil a eles como "indenização". Okay...
Então vocês querem falar sobre times convidados naquela edição do Mundial, falem sobre o Vasco e sobre o Real Madrid, não meu Corinthians. Eu entendo a necessidade de zuar e diminuir o adversário, mas vamos fazer direito. Quer dizer que se esse ano, por acaso, acontecesse de o campeão do Mundial ser o time do país sede vocês não iriam considerar válido só porque eles não ganharam o título continental? Meio estúpido, não? Afinal estão lá os critérios... campeões continentais e campeão nacional do país sede. Vocês falarem que o título do Corinthians de 2000 não é legítimo é a mesma coisa que falar que o título do São Paulo de 2005 não é legítimo, que o título do Barcelona de 2011 não é legítimo, que o título do Real Madrid de 2014 não é legítimo, afinal é exatamente a mesma competição.
E, claro, eu não sou dessas idiotas que querem apagar a importância dos Intercontinentais. Sim, era apenas um jogo entre Europa x América do Sul, mas todo mundo sempre considerou mundial e não tem porque mudar só porque a FIFA decidiu que queria fazer a brincadeira dela. Então, claro que eu considero os Intercontinentais como mundiais. Porque eu quero? Não. Porque eu sou sensata. Porque eu gosto de zuar meus rivais com motivo e não inventando coisas. E é exatamente por isso que eu quero discutir mais uma coisa nesse post: o mundial do Palmeiras.
Óbvio que eu adooooro zuar os palmeirenses dizendo que eles não tem mundial, mas eu fui ler sobre a Copa Rio e, vamos combinar, é tão legítima quanto os Intercontinentais. Então, se você considera os Intercontinentais como mundiais, infelizmente você tem que admitir que a Copa Rio também foi um. Sim, meus amigos, o Palmeiras tem um mundial. Assim como o Fluminense. Ou seja, aparentemente você também pode ser campeão intercontinental sem continental. Confuso, né?
Claro, a FIFA considera os Intercontinentais e a Copa Rio apenas como antecessores do Mundial de Clubes porque a entidade não organizou nenhum dos dois, mas é a FIFA... o meu ponto aqui é: sejam sensatos. Eu sei que dói ter que admitir que o Palmeiras foi campeão mundial, mas é assim que é. Agora, não faz o mínimo sentido você vir na minha cara e dizer: então, eu só considero campeão mundial os times que disputaram os torneios intercontinentais de 1960 a 2004 e o Mundial de Clubes a partir de 2005. Não, amigo, você não pode selecionar. Se você aceita o Mundial de Clubes da FIFA como mundial, então você tem que engolir o fato de que o Corinthians tem dois títulos dessa porra. E se você considera os Intercontinentais como mundias, você também tem que engolir o fato de que o Palmeiras foi campeão mundial.
Sinto muito, o mundo não é justo, eu sei. Mas é assim que é.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

BLOOOOOOOOOOOOOG!

Hey, hey, hey!
Certeza que estão todos morrendo de saudade de mim, meus amores! Sorry. 
Como vocês puderam ver, sou doutora agora, hehehe, grande bosta. :)
Ai ai, hoje eu ri tanto por causa de futebol e comentários, mas ao mesmo tempo to meio passada com as pessoas.
Primeiro, nunca vou entender esse tipo de torcedor cujo único objetivo é diminuir o time adversário, ainda mais quando o time da pessoa é o que é. Sério, filha... menos! Sem contar que diminuir o time que você tá jogando contra só piora tudo porque se seu time ganha não fez mais que a obrigação, já que o adversário é tão insignificante, e se perde, bem... se seu time tá perdendo para alguém que você pensa aquelas coisas o que você pensa do seu time agora? Enfim, isso nem é tão ruim afinal de contas... cada um tem seu jeito de ser idiota, eu só não entendo, mas okay...
Agora hoje li alguém falando que gostava de "european football", tipo... em oposição a "american football". ?????????????????
Deus! Filha... FILHA! Eu nem vou comentar essa porque eu to MUITO irritada.
Pra variar pessoas me irritando, como sempre. Mesmo eu ficando em casa 99%  do tempo. Só não é 100% porque eu tive que sair pra assistir Avengers. My babies... :) Mas a internet faz a gente estar em contato com gente demais, idiotas demais. Eu passo dias sem nem olhar o face (mesmo ele sendo a segunda página que abro sempre que ligo o computador... fica lá aberto...), mas espio por 5 segundos e já quero explodir o mundo. Eu acho que o objetivo das pessoas no facebook é ser idiota. Eu sei que o meu é e pelo que eu leio posso concluir isso dos outros também. O tumblr é problemático também, mas nem chega perto das coisas do face...
Enfim, acho que é isso... Não prometo que estarei por aqui regularmente porque a vida é imprevisível, então... :)

sexta-feira, 3 de abril de 2015